Tráfico

"Há quantidades absurdas de cocaína", diz diretor da Polícia Federal Brasileira

"Há quantidades absurdas de cocaína", diz diretor da Polícia Federal Brasileira

Autoridades portuguesas e brasileiras preocupadas com aumento do tráfico. Combate "global" é a única resposta.

O Relatório sobre os mercados de droga na União Europeia, que apresenta dados de 2017, dá pouco destaque a Portugal. Porém, tal como o JN já avançou, mais de sete toneladas de cocaína foram apreendidas em território nacional só este ano, 6,5 das quais pela Polícia Judiciária (PJ), que, em todo o ano passado, apreendera cinco toneladas. A Judiciária explica que o número de apreensões de cocaína cresce há quatro anos consecutivos devido ao aumento de produção da droga na América do Sul, principalmente na Colômbia.

Nesta terça-feira, o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ, Artur Vaz, alertou que Portugal "continua a ser uma porta de trânsito de quantidades significativas de cocaína produzida na América Latina", mercê da posição geográfica e das relações privilegiadas que mantém, essencialmente, com o Brasil. Já o diretor da Polícia Federal Brasileira, Elvis Secco, que participou no Seminário sobre Tráfico de Estupefacientes Transfronteiriços - Projeto Caravela, que decorreu na sede da PJ, em Lisboa, garantiu que "há quantidades absurdas de cocaína produzida na Bolívia, Perú e Colômbia". "Estamos a falar de milhares de toneladas. Grande parte, 50% a 60%, passa por território brasileiro", disse, com destino à Europa e à África do Sul.

O diretor da Polícia Federal brasileira referiu ainda que a cocaína encaminhada por via marítima para a Europa e para a África do Sul traz lucros enormes às organizações criminosas, em resultado da diferença "absurda" de preço entre um quilograma de cocaína num país produtor e num país da Europa.

A mesma tese foi defendida pelo diretor nacional da PJ, Luís Neves, para quem o tráfico de droga (nomeadamente cocaína) e subsequente consumo é "preocupante a vários níveis", não só enquanto atividade criminosa, mas também "preocupante pelos lucros que gera" e pela forma como "distorce a economia" e fomenta e facilita outros crimes, incluindo o branqueamento de capitais e a corrupção do aparelho e estruturas do Estado. Luís Neves apontou o oceano Atlântico e África como zonas privilegiadas de transporte e trânsito da cocaína traficada pelos grandes narcotraficantes e assinalou a importância da cooperação policial direta com o Brasil e com outras instâncias internacionais (Europol, Interpol, MAOC) num combate que tem que ser feito de "forma global".

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