Julgamento

Há uma nova testemunha no homicídio do "Conde"

Há uma nova testemunha no homicídio do "Conde"

O acusado de fazer desaparecer o carro do eletricista declarou em tribunal que tem um testemunho gravado que não só o iliba como afirma saber quem cometeu o crime

Arrancou, esta segunda-feira, no Tribunal de Guimarães, o julgamento de António Silva, de 71 anos, conhecido ex-empresário da noite vimaranense e Hermano Salgado, de 41 anos, acusados pelo Ministério Público de espancarem até à morte Fernando Ferreira, conhecido como "Conde", de 63 anos, a 8 de janeiro de 2020, em Caldas da Taipas. Em julgamento está também Paulo Ribeiro, de 50 anos, proprietário de um stand de automóveis, que, de acordo com a tese da acusação, terá sido responsável pelo desaparecimento do carro da vítima. Foi a defesa deste último que trouxe uma novidade ao julgamento, apresentando uma testemunha que saberá quem cometeu o homicídio e quem fez desaparecer a viatura.

Dos três arguidos, apenas Paulo Ribeiro manifestou vontade de falar nesta primeira sessão do julgamento. O empresário reiterou a defesa que já tinha esgrimido, durante a fase de instrução, alegando que não podia estar nos locais onde o coloca a acusação. Na noite em que ocorreu o homicídio, estaria com a ex-mulher e, no dia 10 de janeiro, terá viajado para França de avião, pelo que, alega, não poderia ter feito desaparecer o carro do "Conde". A novidade no testemunho deste arguido, foi a descrição de uma conversa com o proprietário do café Bada, em Caldas da Taipas, Lúcio Freitas, que lhe terá dito que sabia quem é que cometeu o homicídio. Este indivíduo terá também informado Paulo Ribeiro que as mesmas pessoas teriam feito desaparecer o Volvo C30 do "Conde", que ainda estaria na zona de Sande.

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UMA NOVA TESTEMUNHA

Paulo Ribeiro fez saber que a PJ foi informada deste desenvolvimento, "mas disseram-me que o processo já estava fechado". O arguido disse ainda que o proprietário do café nunca falou com as autoridades por medo de represálias, mas que naquele dia "não aguentava mais a pressão". "Ele não quis dizer nomes, disse apenas que era um homem que trabalhava numa pizaria", declarou. No seguimento destas declarações a defesa requereu ao Tribunal a notificação de Lúcio Freitas como testemunha.

O Tribunal despachou no sentido de que fossem ouvidos primeiro os inspetores da PJ, "para perceber se foram tomados em conta" os aspetos hoje colocados em evidência por Paulo Ribeiro. Só então é que será decidido o requerimento da defesa para notificar Lúcio Freitas como testemunha. Paulo Ribeiro declarou ainda que tinha gravado o testemunho de Lúcio Freitas. Se vier a ser admitido, este testemunho pode orientar o caso num sentido completamente diferente, não está em causa o envolvimento de António Silva, mas Hermano Salgado pode ser ilibado, afirma Paulo Ribeiro.

Recorde-se que António Silva, conhecido como Toni do Penha, é acusado de ter inventado um negócio para atrair o "Conde" ao parque de estacionamento do restaurante Sombras do Ave, em Caldas das Taipas, onde, segundo a acusação, foi espancado até à morte e lançado ao rio. O objetivo seria "dar um aperto" no eletricista, porque Toni acreditava que ele seria o responsável pelo desaparecimento de uma quantia de 80 mil euros em dinheiro da sua residência. Confrontado com a recusa de Fernando Ferreira, "decidiu que, como não conseguia reaver o dinheiro, iria por termo à vida de Fernando Joaquim Ferreira", lê-se na acusação. Hermano Silva terá colaborado com o antigo empresário da noite e, por isso, estão os dois acusados de homicídio qualificado. Já Paulo Ribeiro é acusado de ter feito desaparecer o Volvo C30 do "Conde", levando-o para "parte incerta".

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