Vila Real

Mata ex-mulher com cinco tiros um dia depois de ser chamado à Polícia

Mata ex-mulher com cinco tiros um dia depois de ser chamado à Polícia

Casal separado repartia casa de dois andares, em Vila Real. Quezílias eram frequentes e queixas também. Homicida tentou matar-se com a mesma arma.

Estavam divorciados há mais de uma década, mas viviam na mesma casa, no 26 da Rua Santo Condestável, em Vila Real. Ela no rés do chão, ele no primeiro andar. Em constante litígio, desde a separação, ontem, um dia depois de ter sido ouvido pelas autoridades na sequência de nova quezília, consumou-se a tragédia. Damásio, de 75 anos, assassinou a mulher, Fernanda, dois anos mais nova, e disparou sobre si próprio. Foi internado em estado crítico, com poucas hipóteses de sobreviver.

Pouco passava das 18 horas de ontem quando Damásio, reformado dos CTT, desceu do primeiro andar ao pátio onde a ex-mulher "apanhava sol" e, sem qualquer palavra, desferiu-lhe à queima-roupa dois tiros na cabeça e três no peito. A bala que sobrou no carregador da pistola de calibre 6,35 milímetros, disparou-a contra si próprio. Caiu ao lado da mulher com quem, malgrado o divórcio com mais de 15 anos, continuava a partilhar a casa que ambos construíram em tempos de amor. Aquando da separação, não venderam a vivenda, avaliada em 400 mil euros e decidiram ficar cada um com uma parte da casa. Ela escolheu o rés do chão e ele ficou a habitar o primeiro andar. Mas o prédio só tinha uma entrada, facto que provocava uma convivência forçada que, na maior parte das vezes, resultava em troca de insultos.

Pistola devolvida

A prova reside nas recorrentes queixas de Fernanda ao tribunal e Polícia, por alegada violência que nunca terá chegado a vias de facto. A querela mais grave terá acontecido em 2013, altura em que Fernanda denunciou uma alegada ameaça do ex-marido com recurso a uma arma de fogo. Também nessa altura as autoridades judiciais levaram a queixa a sério, enviando a Polícia para uma busca ao apartamento de Damásio, onde foi encontrada uma "ferrugenta pistola de calibre 6,35 milímetros", com sinais de não ser manuseada "há muitos anos". Mesmo assim a arma foi apreendida e entregue ao Ministério Público. Porém, segundo fonte do tribunal, a arma seria devolvida pouco depois ao antigo carteiro, por não ter sido feita prova da sua exibição na pretensa ameaça.

Ao que o JN apurou, a arma utilizada por Damásio para assassinar a ex-mulher e tentar o suicídio "é muito semelhante à que lhe foi devolvida pelo MP". A investigação, a cargo da Polícia Judiciária de Vila Real, poderá fazer luz sobre este aspeto.

Negou acusações de violência e culpou ex-companheira

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A atribulada convivência entre o ex-casal traduziu-se, ao longo dos tempos, em inúmeras chamadas de Damásio ao tribunal ou à Polícia, para responder a queixas da ex-companheira sobre pretensas novas ameaças. Foi o que aconteceu anteontem, véspera do crime. O carteiro reformado esteve a ser mais uma vez inquirido na PSP, por alegada nova intimidação à ex-mulher. O homem terá negado e responsabilizado Fernanda pelos atritos constantes.

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