Justiça

Matou a mulher a tiro e fez explodir o cadáver

Matou a mulher a tiro e fez explodir o cadáver

Maria da Luz Ramalho Mendonça, de 45 anos, foi assassinada a tiro de pistola junto ao seu local de trabalho, pelo marido, que depois colocou uma granada ofensiva debaixo do cadáver, fazendo-o explodir, cerca das 9.30 horas de segunda-feira, em Sacavém.

António Machado, um taxista de 62 anos, já a tinha ameaçado de morte, por ela o ter deixado após anos de agressões. Suicidou-se com um tiro na boca, logo após o homicídio.

Há uma semana, Maria da Luz, que tinha página no Facebook como Lu Ramalho, tinha sido agredida em plena via pública, no Prior Velho. "Um colega meu ia a passar e viu-os. Parou o autocarro e foi socorrê-la. Ele fugiu", conta António Silva, condutor da Rodoviária, onde a vítima fazia limpezas.

Mas os problemas não eram de agora. "Ele sempre lhe bateu", recordou ao JN uma amiga, Lúcia Dupret, que a conhecia há 18 anos. "A Lu deixou-o porque já não podia mais. "Se não o deixar, ele mata-me", foi o que ela me disse", contou Lúcia Dupret, a viver perto da casa que Maria da Luz partilhou durante 19 anos com o marido, um andar da Praceta Ramalho Ortigão, na Póvoa de Santa Iria.

António, em contrapartida, nunca revelou publicamente quais as suas intenções. No entanto, toda a gente na zona onde vivia o casal, com as duas filhas, sabia que ela o tinha deixado e sabia dos problemas conjugais.

"Ele ficou pior da cabeça há coisa de um ano, quando soube que tinha um cancro na próstata", contou Carlos Silva, amigo de longa data de António e frequentador do mesmo café, o "Paio Pires": "O Machado disse-o aqui, no café, a toda a gente. Não quis ser operado, mas fez radioterapia e dizia que estava melhor". No entanto, se nunca anunciara as suas intenções homicidas, "passava a vida a falar da guerra de África, onde esteve, na Guiné. E dizia que sabia mexer em todos os explosivos".

Com duas filhas, uma delas já maior e a viver fora de casa, Maria da Luz conseguia ver a filha menor às escondidas. Tinha ido viver com uma tia, mas nunca cortara a ligação com as filhas. O marido, no entanto, perseguia-a e queria que ela voltasse para ele.

PUB

Maria da Luz mantinha dois empregos nas limpezas, um à tarde, no Prior Velho, e outro na Rodoviária de Lisboa, em Sacavém, na estação de limpeza dos autocarros, onde veio a ser assassinada. Diariamente, passava no café "O Trancão", antes de ir trabalhar. "Ainda há dias, depois de ler sobre um crime, no jornal me disse: "Qualquer dia sou eu quem vai ser notícia". Ela tinha muito medo do marido", conta ao JN Célia Gomes, funcionária.

E foi ali que Maria da Luz mais uma vez passou antes de entrar no trabalho, que fica a cerca de 100 metros. António Machado estava à espera da mulher, dentro do carro, um Seat Leon. Saíra de casa, passara pelo café Paio Pires. "Parecia normal", contou uma funcionária, surpreendida pelo dramático desfecho. Quando viu chegar a mulher, saiu e gerou-se uma discussão, ouvida por funcionários da Rodoviária.

A reconstituição da Polícia Judiciária dá conta de que Machado puxou de uma arma e fez quatro ou cinco disparos. A vítima caiu, provavelmente já morta, e foi então que ele meteu a granada debaixo do corpo. A explosão projetou o corpo para o capô de um carro e derrubou o portão da Rodoviária e um murete. Em segundos, matou-se também.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG