Sintra

Homicidas de Mota JR condenados a 23 anos de prisão e "isco" a 4 anos e seis meses

Homicidas de Mota JR condenados a 23 anos de prisão e "isco" a 4 anos e seis meses

João Luizo, Edi Barreiros e Fábio Martins foram condenados a 23 anos de prisão pela morte, à pancada, do rapper Mota JR, num julgamento que terminou com agressões físicas entre Catarina Sanches, jovem usada como "isco" e condenada a quatro anos e seis meses, e familiares do rapper.

Em causa crimes de homicídio qualificado, roubo agravado, sequestro, profanação de cadáver e furto qualificado. A juíza do Tribunal de Sintra considerou o crime extremamente violento, pela forma como mataram a vítima, à pancada e em desprezo mostrado pela agonia do rapper.

Catarina Sanches, o "isco" que atraiu a vítima para a cilada mortal foi condenada por roubo agravado em coautoria a quatro anos e seis meses de prisão. O Tribunal decidiu não suspender a pena pelo facto de a arguida não ter demonstrado arrependimento nem ter assumido a participação no crime.

O rapper David Mota foi morto à pancada numa emboscada à porta de casa para o roubar na madrugada de 15 de março de 2020. Os assaltantes, João Luizo, Edi Barreiros e Fábio Martins queriam roubar o ouro que Mota JR tinha consigo e em casa, mas o rapper resistiu. Em casa estava a mãe e irmã, com quem vivia.

No assalto foi utilizado um isco para tirar o rapper de casa. Catarina Sanches, o isco do assalto, encontrou-se com Mota JR na noite do crime por ordem de João Luizo. Quando os dois regressaram ao prédio onde o rapper residia, pela uma hora da madrugada, Mota JR foi surpreendido por Edi Barreiros e Fábio Martins encapuzados, que agrediram o artista a soco. Catarina fugiu, de acordo com o plano já traçado, ficou provado em Tribunal.

Mota JR tentou resistir ao assalto e foi arrastado até um túnel, onde já com João Luizo no local, foi sovado com murros e pontapés e atirado violentamente contra a parede, várias vezes. Foi colocado ainda com vida em profunda agonia na bagageira do carro utilizado pelos homicidas, atado com fita-cola nas mãos e pés, mas acabou por morrer vítima das agressões.

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Os suspeitos tentaram ainda entrar em casa do rapper logo à seguir ao crime, mas sem sucesso. Ao entrar no prédio, João Luizo foi chamado por um vizinho à distância, que pensava tratar-se de Mota JR, o que o levou a voltar para trás.

Os arguidos dirigiram-se depois a casa onde João Luizo residia em Lisboa com um amigo. Este testemunhou em tribunal, referindo que estavam com roupa ensanguentada e nervosos com algo que tinha ocorrido.

Pelas seis horas da madrugada, depois de nova tentativa frustrada de entrar na casa da vítima, os arguidos deixaram o corpo sem vida de Mota JR na Serra da Arrábida, a mais de 50 quilómetros do local do crime, numa zona que João Luizo conhecia porque os seus pais têm casa perto.

Os arguidos voltaram à casa do rapper, com as chaves de casa da vítima e aproveitaram a ausência da mãe e irmã de David Mota para furtar os bens que a vítima tinha no quarto. A mãe e irmã de David estavam, nesse momento, na PJ a participar o desaparecimento do rapper.

O assalto rendeu cerca de 1600 euros, resultante da venda numa ourivesaria no Barreiro de dois anéis e um fio de ouro que Mota JR tinha consigo e em sua casa. Pressionados pela eventual detenção, já que as autoridades tinham sido alertadas, os três colocaram-se em fuga. João Luizo e Edi Barreiros saíram do país antes da declaração de Estado de Emergência e antes de estarem identificados como suspeitos. Fábio Martins permaneceu em território nacional, foragido das autoridades e na companhia de um amigo.

O corpo do artista foi encontrado dois meses depois do crime em elevado estado de decomposição devido à presença de javalis na zona.

Edi Barreiros regressou em junho ao país e foi detido no aeroporto do Porto. Em Inglaterra, João Luizo foi capturado pelas autoridades no âmbito da cooperação internacional entre a PJ e a polícia britânica e trazido para Portugal. Em julho, a PJ deteve a jovem de 22 anos e em novembro o quarto suspeito, Fábio Martins.

Agressões físicas à saída

O julgamento ficou marcado por confrontos físicos à saída da sala de audiência. As agressões envolveram Catarina Sanches, jovem usada como "isco" e familiares e amigos da vítima.

A GNR teve que intervir para impedir o escalar da violência. Catarina Sanches saiu do espaço acompanhada de amigas a insultar os envolvidos nas agressões e a situação ficou logo sanada.

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