Lisboa

Homicídio de fadista. "Agora mata-se e vai-se para casa?"

Homicídio de fadista. "Agora mata-se e vai-se para casa?"

Familiares e amigos do fadista amador José Luís Almeida, mais conhecido por "Pintarolas", que foi morto a tiro à porta de casa, em Chelas, freguesia de Marvila, manifestaram-se, esta quinta-feira, em frente ao Campus de Justiça, em Lisboa, contra a revisão da medida de coação do presumível homicida, que passou de prisão preventiva para prisão domiciliária.

A família mais próxima de "Pintarolas" concentrou-se hoje em frente ao Campus de Justiça contra a decisão do juiz João Bártolo de deixar Flávio Fernandes, arguido pelo homicídio do fadista amador, em prisão domiciliária. Acusam o juiz de proteger o arguido e pedem que se faça justiça e se aplique uma medida de coação mais pesada.

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"Estamos a falar de uma pessoa que morreu, agora mata-se e vai-se para casa? A justiça tem de ser feita!", exigiu Vânia Almeida, irmã de José Luís, que assistiu ao homicídio e teme a fuga do suspeito. "Sabemos que está a tentar fugir para França. O nosso receio é que não pague pelo que fez", receia.

Ânimos exaltados

Num ambiente de tristeza e revolta, com a mãe do fadista lavada em lágrimas, familiares e amigos criticaram as que consideram serem "várias falhas da justiça". "A justiça é muito branda em Portugal. Uma praceta inteira viu o homicídio, temos imensas testemunhas que não foram chamadas. O juiz limitou-se a mandá-lo para casa", criticou ainda Vânia Almeida.

O protesto, no qual estiveram presentes ainda uma filha adolescente e sobrinhos de José Luís, começou pacífico, mas rapidamente os ânimos se exaltaram, quando a polícia pediu aos cerca de 15 manifestantes para saírem do Campus de Justiça e se mudarem para o outro lado da estrada. "Ainda vamos ser presos por estarmos a manifestar-nos contra uma injustiça", reclamaram alguns, que, inicialmente, se recusaram a sair do campus.

José Luís Almeida suspeitava de uma relação extraconjugal da cunhada e terá contado ao irmão. Desde então, andaria a ser ameaçado de morte. No dia do crime, segundo testemunhas, "Pintarolas" discutiu à porta de casa, na rua, com a cunhada e terá sido o filho desta que lhe deu um tiro no peito. A ambulância demorou mais de uma hora a chegar, e o fadista amador não resistiu aos ferimentos. Tinha quatro filhos, dois dos quais menores.

Filipa Almeida, também irmã de "Pintarolas", não escondia a revolta. "O meu irmão é que está morto e não fazia mal a ninguém, era respeitado por toda a gente. O outro (Flávio Fernandes) tinha cadastro e vai para casa", gritava.

"Nunca tinha visto disparate tão grande"

O advogado da família, Correia de Almeida, disse ao JN que, "em 31 anos de advocacia, nunca tinha visto um disparate tão grande como este".

"O juiz justificou que o arguido tem diabetes para o mandar para casa, isto é ridículo. Nem contactou o Hospital Prisional de Caxias, que tem condições para receber estas pessoas, para perceber se as tinha. Os arguidos têm direitos, mas a família das vítimas também. O que o juiz fez foi omitir os direitos das vítimas e isso não é fazer justiça", criticou.

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