Julgamento

IHRU fez levantamento dos danos nas casas de Pedrógão Grande em cinco dias

IHRU fez levantamento dos danos nas casas de Pedrógão Grande em cinco dias

Um técnico superior do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) disse esta quinta-feira ao Tribunal de Leiria que foi feito em cinco dias o levantamento de todos os danos nas habitações afetados pelo incêndio de 17 de junho de 2017, em Pedrógão Grande.

Victor Reis, cujo depoimento prossegue hoje à tarde, adiantou que, logo a seguir ao incêndio de Pedrógão Grande, o Governo determinou que o IHRU fosse para o terreno avaliar os danos.

"Estivemos no terreno em articulação com os três municípios mais afetados: Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande. Criámos várias equipas com elementos do IHRU, Segurança Social, Proteção Civil e um representante da câmara ou da junta de freguesia", adiantou hoje ao coletivo de juízes, em mais uma sessão de julgamento que decorre na Exposalão, na Batalha.

Segundo explicou à Procuradora da República, "o objetivo era fazer o levantamento de todas as construções que tinham sido danificadas ou destruídas pelo incêndio", informação que seria depois entregue à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), que "iria apresentar ao Fundo de Emergência da União Europeia".

"Este trabalho foi feito entre os dias 22 e 27 de junho. Depois, do dia 27 a 29, foi realizado um relatório, que foi enviado à CCDR. Detetaram-se algumas imprecisões e foi enviado logo um email a chamar a atenção. No dia 2 de julho, foi quando foi enviado o conjunto da informação completa com as listagens finais", revelou ainda.

Victor Reis precisou que o levantamento foi feito de forma a "identificar e quantificar os prejuízos".

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"Foi percorrido todo o território e batida casa a casa onde houvesse danos. Foi criado um identificador e georreferenciação, com todos os elementos que caracterizavam cada casa, a freguesia, localidade, código de identificação e juntavam-se todas as fotografias, para não haver dúvidas", explicou.

Na informação recolhida era ainda indicado se as habitações tinham seguro, os dados dos artigos matriciais, áreas, o estado de conservação e a quantificação dos danos. Constava ainda referência a ser primeira ou segunda habitação e se eram estruturas de arrumos, armazéns ou outros.

"Esta informação era feita com informação recolhida no local. Em alguns casos, os proprietários estavam no terreno, não foi a maioria, outras vezes eram vizinhos que davam informações e noutras era a própria autarquia que esclarecia. Sublinho que isto foi feito em condições extremas e o relatório chama a atenção que seria necessário voltar ao terreno para melhorar aquela recolha de informação", alertou.

Segundo Victor Reis, "posteriormente houve pedidos de esclarecimento pela CCDR e a partir daí o processo do IHRU encerrou-se".

Na sessão de hoje foi também ouvido o arquiteto João Pereira, que trabalhou com a SIC Esperança na reconstrução de algumas habitações, e que referiu que a intervenção efetuada teve por base as listagens do Município de Pedrógão Grande.

O julgamento das alegadas irregularidades no processo de reconstrução das casas que arderam no incêndio de junho de 2017 no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e que alastrou a municípios vizinhos tem 28 arguidos.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, e o ex-vereador deste município Bruno Gomes estão entre os arguidos. Estão pronunciados por 20 crimes de prevaricação de titular de cargo político, 20 crimes de falsificação de documento e 20 crimes de burla qualificada, os mesmos do despacho de acusação.

Este incêndio provocou 66 mortos e 253 feridos, tendo destruído cerca de 500 casas, 261 das quais habitações permanentes, e 50 empresas.

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