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Imagens do local onde Giovani foi encontrado deviam ter sido investigadas, diz defesa

Imagens do local onde Giovani foi encontrado deviam ter sido investigadas, diz defesa

A defesa de um dos suspeitos de matar Giovani Rodrigues defendeu que as imagens das câmaras de videovigilância da avenida onde p jovem foi encontrado inconsciente deviam ter sido investigadas.

A não utilização das imagens das câmaras de vigilância da Avenida Sá Carneiro, em Bragança, onde, a 21 de dezembro de 2019, foi encontrado inconsciente o estudante cabo-verdiano Luís Giovani Rodrigues, que morreu 10 dias depois, na sequência de uma rixa com várias pessoas, gerou críticas por parte da defesa de um dos sete arguidos acusados de homicídio.

Américo Pereira não percebe por que não foram usadas as imagens das câmaras de vigilância que havia na avenida Sá Carneiro, que Giovani percorreu e onde foi encontrado inconsciente. E lamentou que o inspetor da Polícia Judiciária que conduziu a investigação só não tenha lido o relatório da autópsia "para perceber que ali só consta um único ferimento na cabeça do rapaz que faleceu, o que não é compatível com sete pessoas a bater-lhe".

Ao contrário do que esperava a defesa, os depoimentos do médico responsável pela autópsia e do inspetor da Polícia Judiciária não foram considerados esclarecedores.

No final da quinta sessão do julgamento, que decorreu esta quarta-feira, em Bragança, Américo Pereira admitiu que estava "com esperança" que o perito que elaborou o relatório da autópsia esclarecesse as dúvidas. "Há aqui um problema que está a inquinar este trabalho. A acusação diz que sete rapazes agrediram quatro jovens cabo-verdianos - a murro, pontapé, cinto e paus -, enumera as agressões pelo corpo todo que o rapaz apresenta e diz que foram estas agressões que o levaram à morte, mas a autópsia diz que o Giovani só tem um único ferimento na cabeça", explicou o advogado, lamentando que se "tenha perdido oportunidade na investigação de esclarecer como foi feito o ferimento". "Do local onde se deu a primeira contenda até ao local onde o jovem foi encontrado desmaiado, são centenas de metros, há um percurso que era preciso averiguar", considerou.

Traumatismo craniano sem causa direta apurada

As agressões na cabeça ao estudante cabo-verdiano Luís Giovani Rodrigues foram confirmadas por um dos amigos que acompanhava o jovem na madrugada de 21 de dezembro e que também foi agredido. Esta foi a primeira das três vítimas de agressão a ser ouvida, esclarecendo que o jovem de 21 anos que acabou por morrer não caiu nas escadas da Travessa dos Negrilhos, apenas que tropeçou, tendo-se agarrado ao corrimão central.

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José Fernandes, médico responsável pela autópsia ao corpo de Luís Giovani Rodrigues, explicou que a morte do jovem ficou a dever-se a um traumatismo craniano frontal, mas que não pode estabelecer uma causalidade direta com a sua origem - ainda que tenha realçado que se tivesse sido de uma queda só podia resultar do embate com um objeto estático e não só de uma mera queda nas escadas, mas as lesões eram compatíveis também com uma agressão. Também disse não dispor de elementos que possam garantir que a lesão tenha resultado de uma agressão.

O médico esclareceu que, na altura da autópsia, o corpo não apresentava outras lesões ou cicatrizes, mas que, como já tinham passados dez dias desde a contenda, eventuais marcas já poderiam ter sarado: "Como não estão registadas não posso fazer um nexo de causalidade".

Para este perito, "é indubitável" que a causa da morte foi provocada pelas lesões traumáticas na cabeça e que podiam ter sido provocadas por um ou mais eventos, ou seja, várias pancadas no mesmo sítio.

Gil Balsemão, advogado de outro arguido, afirmou no final da sessão, que o mais importante "é apurar a verdade" e que o seu constituinte já por duas vezes admitiu que houve agressões mútuas. O causídico considera que os depoimentos do médico e do inspetor da PJ não foram esclarecedores:

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