Alcochete

Instigador do ataque pediu tochas para "incentivo aos jogadores" 

Instigador do ataque pediu tochas para "incentivo aos jogadores" 

Tiago Silva "Bocas", um dos agressores dos atletas do Sporting que surge nas conversas de Watsapp na preparação do ataque como um dos que mais instigou à violência diz hoje ao tribunal que nunca pensou que houvesse qualquer agressão.

Apesar de nas mensagens dizer que "é para entrar, varrer e sair" e pedir para levarem tochas, aos juízes justificou que nada daquilo foi planeado. "A ideia era apertar com os jogadores depois da última derrota na Madeira e só pedi para levarem tochas para fazermos uma qualquer coreografia no treino", explica aos juízes.

Tiago "Bocas" avisou Bruno Jacinto da ida dos adeptos e conta aos juízes que apenas entrou a correr na Academia para dissuadir aqueles que seguiam à sua frente da agressão de qualquer jogador. "Entrei de cara tapada porque sabia que ia entrar num espaço onde não podia entrar".

"Vi o Battaglia e perdi a cabeça"

O membro da Juve Leo foi o quarto agressor a entrar no balneário. "Quando entrei no balneário para tentar dissuadir os restantes elementos, já estava muito fumo e foi aí que vi o Battaglia". O arguido diz ter perdido a cabeça. "Lembrei-me dos insultos que me proferiu no aeroporto da Madeira, cheguei ao pé dele, fiquei cara a cara com ele e levei imediatamente com uma geleira na cabeça". Tiago Silva disse então: "isto já deu problemas, vamos embora". Aos juízes negou qualquer agressão ao jogador e recorda "muitos gritos e tochas arremessadas que deixaram o balneário com muito fumo".

"Se Mustafá soubesse, nada disto teria acontecido"

O arguido justifica a preparação da ida à Academia com a frustração dos adeptos em relação à má prestação da equipa no último jogo e afasta Nuno Mendes e Fernando Mendes, líder e ex líder da Juve Leo, da preparação. "O Nuno Mendes não sabia de nada, se soubesse e lá tivesse estado nada disto tinha acontecido". Quanto à participação de Fernando Mendes, o arguido disse que o informou no próprio dia da visita, horas antes do ataque quando já tinha a certeza da ida a Alcochete. Foi Tiago Silva que deu boleia a Fernando Mendes na ida a Alcochete.

"O objetivo da ida à Academia era de dar um aperto aos jogadores, pedir justificação para o mau fim de época", explica o arguido.

"Primeiro chamava-se a atenção e depois dava-se um incentivo para a Taça de Portugal". O grande número de adeptos envolvidos era para fazer passar a mensagem, já que de acordo com o arguido, "se fossemos um ou dois, viravam as costas, mas a intenção não era bater, mas falar num tom mais agressivo e entoar cânticos para puxar pela equipa".

Confrontos na Madeira motivados por "poncha em excesso"

Sobre o jogo da Madeira, o arguido refere que "aquela derrota foi uma falta de respeito para com o universo Sporting, que paga e dedica-se ao clube, mas não tem resposta do outro lado".

Após a derrota e motivado pelo consumo excessivo de álcool, neste caso poncha da Madeira, decidiu ir ao aeroporto tirar satisfações com Acuna, que diz ter insultado a claque no fim do jogo. "Dirigi-me ao Acuna quando Battaglia intercepta-me e põe-se a falar comigo, a insultar-me. Fiquei sem reação, estava lá um agente da autoridade que me disse que apesar de ter ouvido os insultos disse para não fazer nada".

Nessa altura chegou Jorge Jesus. "Disse para nos irmos embora porque estavam lá as câmaras e era uma má imagem para o Sporting", prossegue o arguido, acrescentando que "na altura julgava-me no direito de contestar , dei tudo ali, tinha feito tudo e do outro lado não via qualquer respeito".

O arguido mostrou-se arrependido do que fez e emocionou-se perante o coletivo. "Foi preciso ir para a prisão para perceber que há vida para além do Sporting".

Arguido contestou post de Bruno de Carvalho na reunião na casinha da Juve Leo

Tiago Silva falou ainda da reunião que houve na casinha da Juve Leo a sete de abril e onde o MP acredita que foi onde Bruno de Carvalho deu o aval para o ataque. "Foi uma reunião normal, não era excecional, mas nesse dia quando cheguei a Alvalade viu Bruno de Carvalho, o que era uma surpresa porque não costumava ir".

Na reunião, onde o arguido participou apenas no início por razões pessoais, diz que os participantes tentaram transmitir a opinião contra o post de Madrid publicado por Bruno de Carvalho. "Os sócios estavam insatisfeitos relativamente aos posts de Madrid, independente se o presidente tivesse razão, as coisas deviam resolver-se dentro de casa". O arguido saiu da reunião e no dia seguinte com amigos que contaram que a justificação dada por Bruno de Carvalho nao agradou os adeptos. Mais detalhes da reunião não soube.