Tribunal

Acusada de burlar idosos franceses chora nas alegações finais

Acusada de burlar idosos franceses chora nas alegações finais

Fernanda Costa, a mulher de 44 anos, que está a ser julgada no tribunal de Viseu, acusada de burlar idosos franceses, chorou esta sexta-feira, perante o coletivo de juízes, já depois do Ministério Público, (MP) ter pedido uma pena entre 8 a 10 anos de prisão.

No banco dos réus também estão o marido (François), de 49 anos , o filho de 23 anos, (Ruben) e um amigo francês de 64 (Jean Claude Etcheberry).

Segundo a acusação, pelo menos quatro homens de nacionalidade francesa foram seduzidos para Viseu, para a vivenda da arguida, com a promessa de receberem cuidados e acompanhamento.

As vítimas terão sido lesadas em mais de 350 mil euros em dinheiro, entre transferências e compras, alegadamente realizadas sem autorização.

"Esta situação colocou-me mal psicologicamente. Fizeram-me acusações graves e o que me faz sofrer mais é que são acusações que nem as imaginei", afirmou a arguida. Na sessão anterior explicou que se limitou a responder a anúncios dos homens que procuravam uma companheira e que eles lhe pagaram dívidas e outras despesas por vontade própria.

Fernanda lamentou ter a vida privada e financeira divulgada " nas capas das revistas" e disse temer pelo futuro quando deixar o estabelecimento prisional da Guarda, onde está há dois anos.

Todos os arguidos estão acusados de vários crimes, nomeadamente burla qualificada na forma tentada e na forma consumada , abuso de confiança , sequestro, acesso ilegítimo, furto , ofensa à integridade física, posse ilegal de arma, falsificação de documentos.

Quanto ao crime de associação criminosa, o Ministério Publico considera que faltou provar a existência de um chefe , de uma estrutura hierarquizada , pedindo por isso a absolvição, o que mereceu a concordância dos advogados de todos os arguidos.

O Ministério Público pediu para François 8 a 9 anos de prisão, para o filho seis a sete anos e para Jean Claude uma pena entre os 8 e 9 anos de prisão.

A mandatária de uma das vítimas, Daniel Lascourreges, de 81 anos, que pede uma indemnização no valor de 12.500 euros, considera que as declarações da arguida "não merecem credibilidade". Alegou que há um valor de 104 mil euros em cheques que foram preenchidos sem autorização e quase 200 mil euros movimentados com cartões bancários.

As advogadas de Jean Claude e de Ruben pediram a absolvição para os clientes, tal como o advogado de Fernanda Costa e do marido.

"O coração tem razões que a própria razão desconhece. Os homens que vieram de carro e de autocarro de França tinham um objetivo e por alguma razão as coisas não correram bem. Depois da frustração veio o arrependimento de terem dado a liberdade de Fernanda gastar dinheiro", afirmou o advogado Filipe Figueiredo.

Sobre o homem de 81 anos, Daniel, que se apaixonou pela arguida e com quem manteve um relacionamento amoroso, tendo mudado a residência de França para Viseu com a mulher (em cadeira de rodas) o advogado afirmou: "Faltou-lhe um bocadinho de juízo, acredito".

No final, François, que manteve o silêncio durante todo o julgamento, disse ontem ao tribunal "Não fiz mal a ninguém", afirmou também com os olhos em lágrimas.

Ao coletivo de juízes Ruben, o filho da arguida limitou-se a dizer: Só quero que isto acabe o mais rápido possível".

A leitura do acórdão está marcada para 12 de agosto.