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Julgamento

Advogados do Benfica estranham alegada decisão no caso E-toupeira

Advogados do Benfica estranham alegada decisão no caso E-toupeira

Juízes decidem esta quarta-feira se SAD do Benfica vai a julgamento. Projeto de acórdão critica a não acusação de altos responsáveis benfiquistas. Advogados do clube encarnado estranham "tão rápido agendamento desta conferência" e antecipação de teor da decisão.

Segundo avançou a TVI, o projeto de acórdão do juiz Rui Teixeira é "crítico ao facto de altos responsáveis do Benfica não terem sido acusados". A estação de televisão diz ainda que o juiz desembargador considera que "havia matéria para que o Ministério Público (MP) tivesse ido mais longe".

A conferência dos desembargadores da Relação de Lisboa está marcada para as 9 horas desta quarta-feira e nela será analisado o recurso do MP e de um assistente que desejam que o clube encarnado vá a julgamento. Recorde-se que, na fase de instrução, a juíza Ana Peres decidiu não pronunciar a SAD benfiquista, fundamentando que os crimes foram cometidos por funcionário e não pela pessoa coletiva.

Antes, o procurador do MP Valter Alves já tinha decidido não acusar Luís Filipe Vieira e outros dirigentes benfiquistas.

Recorde-se que a SAD do Benfica tinha sido acusada de corrupção ativa, oferta ou recebimento indevido de vantagem e de 28 crimes de falsidade informática. Todavia, a juíza Ana Peres decidiu que a SAD não deveria ir a julgamento, ao contrário de Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica, e do oficial de justiça José Silva que irão ser julgados por aqueles crimes.

Advogados do Benfica estranham

Confrontados com pedidos de reação à alegada decisão do juiz Rui Teixeira, os três advogados que representam a SAD benfiquista emitiram um comunicado onde revelam grande estranheza.

Primeiro, por, "não tendo havido ainda sequer conferência (...), já possa ser conhecido e anunciado o teor de uma suposta decisão". Aliás, prosseguem os causídicos, sendo verdadeira a notícia, "amanhã na conferência os senhores juízes «decidirão» o que já existe e já foi conhecido publicamente hoje, o que é institucionalmente pelo menos delicado e carece de explicação".

Depois, os advogados do Benfica manifestam estranheza pelo "adiamento recente do julgamento dos arguidos pronunciados ou o tão rápido agendamento desta conferência já nos provocaram, diga-se".

Os causídicos João Medeiros, Paulo Saragoça da Matta e Rui Patrício terminam frisando que não podem "deixar de muito estranhar esta notícia de hoje, e ainda mais estranharemos (e, se for legalmente caso disso, reagiremos) se ela for verdadeira e se a conferência na Relação de amanhã sufragar um «facto consumado» desta natureza e se a instituição judiciária no seu todo o aceitar".