Tribunal

Atropelamento mortal da irmã de Djaló. Autor defende tese de acidente

Atropelamento mortal da irmã de Djaló. Autor defende tese de acidente

A defesa do jovem de 21 anos que atropelou mortalmente Açucena Patrícia nas Festas da Moita, em 2018, diz que o carro resvalou em areia antes da curva para o espaço onde se encontravam cerca de cem pessoas em convívio e recusa que o arguido tenha agido em vingança contra quem o tinha agredido antes.

Abel Fragoso, em prisão preventiva, está acusado de um crime de homicídio qualificado pela morte da irmã de Yannick Djaló, 16 de homicídio qualificado tentado, relacionados com aqueles que atingiu com a sua viatura, e outro de condução perigosa.

O debate instrutório começou, esta segunda-feira, no Tribunal do Barreiro, e a defesa do arguido espera que o juiz Carlos Delca faça cair os crimes por que Abel Fragoso vem acusado, substituindo-os por um de homicídio negligente e 16 de ofensas à integridade física simples. "O Ministério Público (MP) parte de premissas que não são sustentadas em nada", referiu Pedro Madureira, advogado de Abel Fragoso ao JN. "Nem a agressão ocorreu naquele espaço, nem a rua de acesso ao local estava interdita ao trânsito com obstáculos, nem o Abel tentou depois fugir", alega. A defesa quer provar que o arguido queria estacionar o carro perto da travessa para ir ter com amigos quando perdeu o controlo da viatura.

O atropelamento deu-se na madrugada de 15 de setembro de 2018 na Travessa do Açougue, Moita, onde decorria uma festa organizada pelo bar "Casa do Tio". O MP considera que Abel Fragoso foi agredido por dois outros jovens no espaço e decidiu vingar-se. Pedro Madureira contesta que a agressão tenha sido neste local. "O Abel foi agredido sim, mas junto ao carro que depois retirou para ir ao encontro de amigos".

O MP refere que num estado embriagado e após as agressões, foi buscar o carro, retirou com as próprias mãos as baias de segurança na rua de acesso ao centro da Moita, ignorou a ordem de paragem por elementos da GNR e irrompeu pelo beco. Aqui atingiu várias pessoas, entre as quais Açucena Patrícia, que nada tinha que ver com as agressões anteriores e festejava com amigos o regresso às aulas.

Abel Fragoso tentou depois avançar contra os seus agressores, localizados num ponto mais interior da travessa, mas a viatura embateu violentamente nas guardas de madeira de proteção e ficou imobilizada. A força do embate contra Açucena fez com que a vítima ficasse esmagada entre a viatura e a parede. Um bombeiro residente nas imediações acorreu ao local e ainda antes da chegada da ambulância conseguiu reanimar a vítima, mas a jovem de 17 anos acabou por falecer já na ambulância a caminho do hospital.

Pedro Madureira considera que a acusação não se baseia em provas concretas. "A rua por onde o Abel seguia antes do acidente estava sem qualquer obstáculo físico que impedisse a circulação automóvel e, nessa mesma noite, outras viaturas circulavam nessa rua". O advogado acrescenta que "a vítima mortal não ficou esmagada, como o MP defende, e se o Abel quisesse fazer a marcha atrás da sua viatura para fazer nova investida contra os ditos agressores, não havia qualquer impedimento para tal".

Na altura da colisão, a viatura foi imediatamente cercada pelos restantes jovens que tentaram à força retirar o suspeito do carro para fazer justiça pelas próprias mãos, mas foi apenas com a presença da equipa de intervenção rápida da GNR que Abel Fragoso foi removido e detido.

Yannick Djaló constituiu-se assistente no processo e vai exigir em tribunal 175 mil euros pela morte da irmã, Açucena Patrícia. Desse valor, a ser pago pelo condutor, pelo dono da viatura e pela seguradora, 125 mil são a título da perda da vida, 30 mil euros pelo sofrimento da vítima antes da morte e 20 mil pelo sofrimento do jogador pela perda da irmã, então com 17 anos.