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Condenado a oito anos e oito meses por mandar matar os pais

Condenado a oito anos e oito meses por mandar matar os pais

O Tribunal de Matosinhos condenou, esta terça-feira, a oito anos e oito meses de prisão o homem que, no ano passado, encomendou a morte dos pais, em Vila do Conde.

O executante, por seu lado, vai ficar nove anos e nove meses na prisão.

Os dois homens ficaram ainda sentenciados a pagar cerca de 54 mil euros de indemnização às vítimas.

Rui Barata, de 47 anos, era acusado de ter encomendado a morte do pai, de 79 anos, e da mãe, de 68, quando estes se encontravam na residência, em Mindelo, Vila do Conde, em novembro do ano passado.

O executante, Paulo Gomes, de 23 anos, estava munido de uma pistola de alarme transformada, que não chegou a disparar, mas agrediu violentamente o casal, roubando algum dinheiro e objetos de ouro. Pelas duas tentativas de homicídio e pelo roubo, foi condenado a nove anos e nove meses de prisão efetiva.

A sua namorada, Ana Rajão, foi absolvida.

Dirigindo-se ao arguido principal, a presidente do coletivo de juízes disse que é de lamentar que tenha tido esta ideia "perfeitamente avessa" a qualquer pessoa que vive em sociedade, lembrando-lhe que causou "graves danos" aos pais, nomeadamente psicológicos. "Aproveite o tempo na prisão para fazer uma retrospetiva e o que quer da vida", afirmou.

Virando-se para o arguido que agrediu e tentou matar as duas pessoas dentro da sua própria habitação, e que apenas não o concretizou porque as munições da arma não deflagraram, a magistrada entendeu também como "lamentável" que tenha aceitado fazer parte de um plano destes. "É de lamentar que tenha aceitado uma coisa destas para obter proveitos económicos", frisou.

Relativamente à namorada deste, absolvida, a juíza explicou que não se fez prova do seu envolvimento, mas ficou a sensação de que o namorado agiu para lhe agradar.

O principal arguido encomendou a morte dos pais com o objetivo de ficar com a herança, tendo entregado ao outro suspeito, como adiantamento, um cheque e dinheiro que este transferiu para a namorada, bem como uma chave da casa dos pais.

Os crimes "foram de uma inusitada e despropositada violência, condizente com os objetivos previamente traçados", que visavam matar as vítimas e "realizar um roubo para dissimulação dos homicídios".

Contrariando a acusação, o arguido garantiu que o crime nada teve a ver com a herança, que era "pequena", mas com "más opções de vida" que foi tendo e que geravam discussões e conflitos com os progenitores.

Por isso, confirmou, encomendou a morte a um amigo do filho, não tendo traçado qualquer tipo de plano, pedindo-lhe apenas que fosse "rápido e sem grande sofrimento".