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Delinquência juvenil aumenta 23,4%

Delinquência juvenil aumenta 23,4%

A delinquência juvenil aumentou 23,4%o em 2014, registando mais 453 casos do que há dois anos, divulgou, segunda-feira, a procuradora Helena Fazenda, secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, durante a apresentação dos dados parciais do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2014.

Os números constituem uma inversão da tendência de descida que estava a marcar os índices de criminalidade dos últimos anos, segundo dados consultados pelo JN. Já a sempre preocupante violência doméstica registou também uma subida, se bem que pequena, de 0,1%.

No cômputo geral, a criminalidade violenta e grave desceu 5,4% e a geral 6,7 %, mas já a delinquência juvenil constituiu a maior subida nos dados ontem divulgados, com exceção dos carteiristas.

Helena Fazenda considerou, a questões colocadas pelo JN, que os 23,4% de subida numa área tão delicada são, "em termos de adjetivação, um ligeiro aumento". E, perante a insistência do JN, acrescentou: "Não me parece que seja um aumento preocupante".

A procuradora que está à frente do Sistema de Segurança Interna defendeu esta perspetiva, salientando a "relatividade" da subida tendo em conta o número de casos: 2393. Mas, consultando os dados de anteriores RASI, os números de 2014 constituem a maior subida desde 2010. Nesse ano, registaram-se 3880 casos; em 2011, foi a primeira descida, para 1978; em 2012, verificou-se um ligeiro aumento, para 2035; e, em 2013, houve 1940 casos (menos 95 participações), descida percentual de 4,67%. Com o registo em 2014 de mais 453 casos, verifica-se também uma inversão da tendência da prática de crimes envolvendo jovens entre os 12 e os 16 anos.

E, quanto à criminalidade grupal, normalmente no mesmo grupo estatístico da delinquência juvenil, uma vez que ambas as classificações envolvem crimes praticados por jovens, verificou-se uma descida de 2,5%, inferior à ocorrida em 2013.

Com efeito, em 2014, a criminalidade grupal levou à participação de 6348 casos, com menos 165 situações que no ano anterior.

No entanto, a descida já não é tão acentuada como no RASI de 2013, em que foi de 10,78%, passando de 7300 participações em 2012, para 6513, no ano seguinte, com menos 787 casos.

Quanto à sempre crítica violência doméstica, o problema continua a mostrar uma tendência de subida - foram registadas mais 31 situações do que no ano anterior, se bem que em termos percentuais o aumento seja de 0,1%. Tanto assim que a procuradora Helena Fazenda mostrou preocupação por mais uma subida dos casos, salientando que o fenómeno criminal merece um "empenhamento muito grande" das autoridades para o enfrentar.

"Vejo ainda muitas participações por violência doméstica", frisou a procuradora.

No entanto, Helena Fazenda não quis adiantar se o combate à violência doméstica contra "cônjuge ou análogo" vai integrar ou não as prioridades da política criminal, que está em preparação pelo Governo e para o qual a secretária-geral remeteu posteriores explicações. Refira-se que nesse documento estarão definidas as prioridades no combate ao crime.