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Jovem atleta acusa colegas de abusos sexuais no Jamor

Jovem atleta acusa colegas de abusos sexuais no Jamor

O Ministério Público está a investigar uma queixa de abuso sexual e agressões sobre um rapaz de 15 anos no Centro de Alto Rendimento do Jamor.

O Ministério Público está a investigar uma denúncia por abuso sexual, agressões e bullying sobre um rapaz de 15 anos, supostamente praticados por outros internos na residência do Centro de Alto Rendimento do Jamor (CAR). A Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ) e a Inspeção-Geral da Educação e Ciência têm igualmente processos abertos sobre os incidentes. Está ainda a ser averiguada a eventual existência de mais casos.

A investigação criminal, que surgiu na sequência da denúncia do pai da vítima à CNPDPCJ, visa também o apuramento de responsabilidades de dirigentes daquele centro de formação de atletas de elite, a funcionar na dependência do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), designadamente por, a haver conhecimento dos factos, não os terem comunicado às autoridades competentes.

O adolescente, oriundo do distrito de Aveiro, estava alojado no centro desde novembro de 2015 e terá sido abusado durante a noite. "Estando o meu filho a dormir, atletas do CAR, ao chegarem da escola e aproveitando o seu sono pesado, introduziram os órgãos genitais na sua boca", relata o pai. O progenitor denuncia ainda que, "um dia, ao recusar sair à noite, os demais bateram" no filho e garante que uma atleta testemunhou o caso e comunicou-o à "psicóloga do centro". "Algo que foi logo abafado", acusa.

Na exposição que fez à (CNPDPCJ), o pai do rapaz fala ainda na colocação de "uma cobra no quarto" do filho. As denúncias foram feitas a 2 de julho do ano passado e, em setembro, aquela Comissão remeteu a exposição ao inspetor-geral da Educação e Ciência, com conhecimento dado a uma representante da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto e ao Ministério Público. À Procuradoria-Geral da República chegou também uma denúncia anónima sobre o caso.

Contactado pelo JN, o pai do menor confirmou "ter formalizado a queixa". "Efetivamente, estivemos em Lisboa em novembro, onde fomos ouvidos por um inspetor da Inspeção-Geral da Educação e Ciência". Ainda segundo a mesma fonte, em dezembro, ele e o filho prestaram declarações num posto da GNR do distrito de Aveiro. "A situação reporta-se ao Ministério Público, sendo que me foi referido que todos os intervenientes iriam ser chamados" a depor sobre o caso. Entre as pessoas a inquirir estarão, apurou o JN, dirigentes e outros responsáveis do CAR. "Aguardamos, naturalmente, a ação das entidades competentes e da justiça", afirma o pai.

CAR desconhece abusos

Jorge Orlando Queirós, diretor de comunicação do IPDJ, garantiu ao JN que "não existe nenhum caso relacionado com alegado abuso sexual cometido entre jovens residentes no Centro de Alto Rendimento do Jamor", assegurando ainda que "não houve nenhuma queixa apresentada ao IPDJ ou ao responsável do CAR Jamor". Nas três respostas enviadas por email, o responsável esclarece, no entanto, que "o IPDJ tem conhecimento de que houve uma queixa efetuada pelo pai de um atleta junto da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, relacionada com comportamentos cívicos desadequados protagonizados por jovens atletas residentes. A CPCJ apresentou queixa junto da Inspeção-Geral de Educação e Ciência e, tanto quanto é do conhecimento deste instituto, o processo de inquérito encontra-se a decorrer.

Retificação: Durante algumas horas, para a ilustrar este trabalho publicamos uma fotografia do edifício de atletismo do Centro de Alto Rendimento do Jamor (CARJ). Porém, o rapaz queixa-se que o abuso sexual e agressões ocorreram supostamente na residência do CARJ. Pelo lapso, pedimos desculpa aos elementos da secção de atletismo do CARJ e aos nossos leitores.