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Economista julgado por aterrorizar e incendiar escritórios de advogados

Economista julgado por aterrorizar e incendiar escritórios de advogados

Espanhol perseguiu durante dois anos quem o defendeu em processos. Está em prisão preventiva.

Durante mais de dois anos, tornou um inferno a vida de advogados que o defenderam em vários processos, acusando-os de fazerem "arranjos" entre eles. Fez-lhes ameaças de morte, incendiou dois escritórios, telefonava-lhes e enviava-lhes e-mails ciclicamente para os amedrontar. José Rosselo, economista espanhol de 41 anos, atualmente em prisão preventiva, vai começar a ser julgado no dia 15, nas Varas Criminais do Porto, por dezenas de crimes de ameaças, coação, injúria, difamação, dano, roubo, introdução em lugar vedado ao público e incêndio.

As perseguições começaram em fevereiro de 2016. Segundo a acusação do Ministério Público, vítimas deste economista foram vários juristas, um colega da empresa onde trabalhou e outras pessoas. Entre as vítimas, estão os advogados Nuno Cerejeira Namora, Pedro Marinho Falcão e Alberto Pitta Meirelles, do Porto.

Ameaças de morte

Em fevereiro de 2013, o indivíduo, natural de Girona, perto de Barcelona, Espanha, alegou ter sido despedido sem justa causa por uma empresa de construção civil portuguesa, com obras em vários países africanos. Para impugnar o despedimento, contratou a sociedade de Cerejeira Namora e Marinho Falcão. Os advogados chegaram a um consenso com a empresa para indemnizar o cliente. Mas, segundo a acusação do Ministério Público, o economista recusou assinar o acordo. Pretendia que fosse feita chantagem com a sua ex-empregadora, exigindo 250 mil euros, a propósito de uma suposta ilegalidade. No fim, recusou pagar honorários.

Em 2014, os advogados penhoraram-lhe a casa e queixaram-se de terem sido difamados pelo espanhol. Foi a partir dessa altura que o economista nunca mais deu descanso a Namora e a Falcão, mas também aos advogados que contratara anos antes (para outros processos) e posteriormente.

A acusação descreve o envio de ameaças de morte por e-mail para os advogados e o representante da empresa de construção. Tal aconteceu em fevereiro de 2016, após cerca de 50 tentativas de chamadas, recusadas por um dos advogados. Seguiram-se dezenas de mensagens com promessas de morte e perseguição.

Os factos mais graves ocorreram no final de 2016. Numa madrugada de outubro daquele ano, o economista espanhol conduziu um Renault Clio, pegou-lhe fogo e atirou-o contra a porta do escritório de Namora e Falcão. Dias depois, foi ao escritório de Alberto Pitta Meirelles (após enviar mensagens ameaçadoras), armado com pistola, onde sequestrou uma funcionária, duas advogadas e incendiou uma secretária. Fugiu antes de a PSP chegar.

As ameaças só pararam depois do economista ter sido colocado em prisão preventiva, na cadeia de Custoias.

Condenado por difamação

José António Gomez Rossello foi condenado a uma pena de multa por difamação contra o advogado Pedro Falcão. Não pagou a multa e o tribunal mandou-o cumprir 133 dias de prisão subsidiária.

Ameaças para quando for solto

Num dos e-mails que enviou para o Ministério Público do Porto, o economista diz não confiar na justiça portuguesa e apenas acreditar na justiça que irá fazer quando sair da cadeia. É considerado perigoso.

E-mails para colegas

O economista enviou vários e-mails a outros advogados, onde ameaçava e difamava os queixosos. Estes juristas foram chamados a testemunhar no julgamento.

Confessou crime de dano

Num dos muitos e-mails que enviou ao tribunal, o espanhol confessou ter incendiado o carro à porta do escritório de advogados do Porto. Ficaram danificados o portão e um veículo.

61 crimes

José Rosselo está acusado de um total de 61 crimes. São 40 de ameaças agravadas, seis de injúrias, sete de difamação, três de coação agravada, além de vários de dano, roubo, incêndio e introdução em lugar vedado ao público.

50 telefonemas

Antes de enviar o primeiro e-mail em que ameaçou um advogado de morte, o economista fez 50 tentativas de contactos telefónicos para o escritório de Nuno Cerejeira Namora.

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