Santa Maria da Feira

Educadora e auxiliar em silêncio no início do julgamento sobre maus tratos

Educadora e auxiliar em silêncio no início do julgamento sobre maus tratos

Vão manter-se em silêncio a educadora de infância e a auxiliar de educação infantil acusadas de 25 crimes de maus tratos a crianças do jardim-de-infância da escola de Vendas Novas, em Fiães, Feira.

No inicio do julgamento, esta quinta-feira, no tribunal da Feira, as arguidas afirmaram perante o coletivo de juízes que não pretendiam prestar declarações sobre os factos que constam na acusação.

A sessão de julgamento decorreu depois à porta fechada para audição das duas dezenas de crianças, testemunhas no processo.

De acordo com a acusação os alegados maus tratos a crianças, com idades entre os três e cinco anos, terão ocorrido entre setembro de 2015 e abril de 2016, em Fiães, onde as arguidas trabalhavam.

As arguidas "agrediram física, verbal e psicologicamente as crianças, desferindo sapatadas de mão aberta nas nádegas e face, tratando-as de modo rude e agressivo".

Ainda segundo o ministério Público (MP), as arguidas impunham "um clima de medo", admoestando os menores com agressividade, gritando com eles, e não realizavam atividades didáticas com as crianças.

É ainda dito na acusação que as arguidas trancavam a porta da sala por dentro e diziam às crianças que o que se passava ali não era para contar em casa.

Numa dessas situações, a educadora terá pisado a mão de uma criança com o tacão do sapato, como forma de retaliação relativamente a um comportamento da menor que considerou desajustado, e numa outra terá fechado uma criança na casa de banho, trancando a porta e deixando-a sozinha.

As crianças passaram a ter sintomas de ansiedade, como perturbações do sono, pesadelos, falta de apetite, enurese, tristeza, choro fácil, dizendo aos pais que não queriam ir para a escola.

O MP deduziu um pedido de indemnização civil contra as arguidas, reclamando de cada uma delas o pagamento de um montante não inferior a mil euros a cada um dos demandantes

As duas mulheres foram alvo de processo de averiguações interno, através do centro escolar, que não conseguiu produzir prova dos factos que eram acusadas, mas deixaram de estar ao serviço daquele jardim-de-infância. Contudo, foram recolocadas noutros estabelecimentos de ensino a exercer as mesmas funções.

Depois de o processo ser tornado público, a educadora de infância esteve de baixa médica. Mas concorreu mais tarde para colocação noutra escola o que viria a acontecer. Está agora numa escola na freguesia de Souto, tendo ao seu cuidado diversas crianças, à semelhança do que acontecia anteriormente.

Já a auxiliar de educação infantil foi colocada numa outra escola, mas do mesmo agrupamento de Fiães.

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