Viseu

"Ele amava-a" mas a relação era possessiva, diz irmã de homem que matou a mãe

"Ele amava-a" mas a relação era possessiva, diz irmã de homem que matou a mãe

A irmã de Nuno Sousa, que está a ser julgado no tribunal de Viseu, acusado de ter assassinado a mãe à martelada, a 10 de outubro do ano passado, em Santarinho, Viseu, disse, na quarta-feira, que a mãe tinha uma relação "muito sufocante" com o irmão, 18 anos mais novo.

Na noite de 10 de outubro de 2018, data do crime, Maria Alice tinha 150 euros na carteira, que guardava na cintura. Nuno foi ao quarto, onde a mãe já estava deitada, chamou-a, deu-lhe dois beijos e, assim que esta virou costas, desferiu-lhe várias pancadas na cabeça com um martelo de bola de ferro. Roubou-lhe o dinheiro e abandonou a casa. Foi encontrado pela PSP quatro dias depois numa casa devoluta.

Segundo o Ministério Público, o arguido, de 38 anos, vivia dos 100 euros mensais que a mãe lhe dava e gastava tudo em drogas.

Num depoimento emocionado, a irmã do agressor, Maria de Lurdes, assegurou que foi o homem, a pessoa em quem mais confia, que tomou conta da mãe quando esta sofreu um acidente em 2014. "Ele amava a minha mãe", assegurou, perante o coletivo de juízes.

Relação possessiva

No entanto, considerava a relação de ambos demasiado possessiva. "Dava a impressão que o Nuno era só dela. A minha mãe era muito apegada ao filho", declarou.

E contou ainda que, nos últimos dois anos, Maria Alice lhe pedia cada vez mais dinheiro para alimentar o vício do irmão, toxicodependente, e que, inclusivamente, o pressionou para não fazer uma viagem de retiro no Nepal, marcada por Maria de Lurdes. "A minha mãe pediu-lhe para não ir porque quando regressasse, meio ano depois, ela já não estaria cá", afirmou. "Eu disse-lhe para não ceder às pressões da mãe, mas ele ficou com pena e desistiu".

Tal como outros familiares já tinham dito, Maria de Lurdes confirmou que o arguido, que vivia com a mãe, era trancado em casa e não tinha chave para sair.

Um dos juízes que integra o coletivo, Júlio Gantes, chegou a questionar o cunhado do arguido, que disse ter incentivado o homem a manter uma relação mais distante da mãe. "É como se o seu cunhado [Nuno] precisasse de se livrar da mãe. Ela parecia um fardo, era isso?", questionou o magistrado.

O coletivo de juízes, a pedido da defesa do arguido, deferiu uma perícia destinada a avaliar as capacidade de Nuno Sousa no dia em que já confessou ter assassinado a mãe.