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Falso advogado cobrava 350 euros para agilizar processos no SEF

Falso advogado cobrava 350 euros para agilizar processos no SEF

Dois homens são acusados de 85 crimes de burla qualificada e de falsificação de documentos, resultante de uma investigação desenvolvida nos últimos dois anos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

Dizia que era advogado e que possuía contactos privilegiados dentro do SEF. Prometia agilizar processos de legalização de estrangeiros, maioritariamente brasileiros, e marcar atendimentos de forma célere. Era tudo falso.

Depois de sucessivos adiamentos, quando os cidadãos iam pedir explicações nos balcões do SEF, apercebiam-se de que tinham sido ludibriados e de que não tinham - nem nunca tinham tido - qualquer agendamento em seu nome. Os casos foram tantos que as autoridades desencadearam uma investigação que, agora, culminou com a acusação do DIAP de Lisboa a dois homens.

Segundo apurou a investigação do SEF, um dos arguidos, que se apresentava como advogado, prometia ajuda e rapidez na legalização de estrangeiros graças aos seus conhecimentos jurídicos e a contactos no SEF. Por esses serviços recebia quantias pecuniárias que variavam entre 150€ a 350€.

O arguido publicitava a sua atividade em redes sociais, designadamente através do Facebook, anunciando-se ainda em páginas conotadas e frequentadas pela comunidade brasileira na região de Lisboa. O esquema teve tanto sucesso que o burlão foi obrigado a recrutar um cúmplice, também acusado.

O método era simples. Os estrangeiros contactavam os burlões por telefone e estes recolhiam os seus dados para alegadamente dar início ao processo. Depois, entregava um documento forjado com a marcação de um atendimento. Quando se aproximava a data agendada, explicava que devido a constrangimentos do Serviço a marcação teria de ser adiada, protelando ao máximo os falsos agendamentos com novas e sucessivas datas alternativas.

Quando por fim se deslocavam a um balcão do SEF, os estrangeiros apercebiam-se de que tinham sido enganados e que não tinham qualquer reunião agendada ou processo em andamento.

Esta quinta-feira o SEF anunciou que o DIAP de Lisboa proferiu despacho de acusação contra os dois homens pela prática de 85 crimes de burla qualificada e de falsificação de documentos.