Caso Rui Pinto

"Há hackers maus que ficam bons e trabalham para a Polícia"

"Há hackers maus que ficam bons e trabalham para a Polícia"

A procuradora-geral adjunta admitiu a colaboração de "pessoas que estão por dentro do extraordinário mundo do crime" e têm "um know-how que muitas vezes a Polícia não consegue ter por si só". Porém, frisa que a delação premiada só é aceitável "se for para defender valores superiores e se for escrutinável".

"Em todo o Mundo há histórias de hackers que se transformam em hackers bons e colaboram com a justiça. O hacker mau pode transformar-se num hacker bom e trabalhar para a Polícia", considerou Maria José Morgado a propósito de Rui Pinto, em entrevista, na quarta-feira, à RTP.

Porém, frisou que "em geral nenhum criminoso colabora por razões éticas; é por razões individualistas. Isso é natural e tem de haver uma legalidade para essa compensação, através da delação premiada".

A magistrada admite que ficou "pessoalmente" impressionada com o caso até porque ouviu Rui Pinto dizer frases sobre a corrupção no futebol semelhantes às que tinha dito em 2002. Passados 17 anos, "fez-me impressão porque aparece uma pessoa a dizer o que eu tinha dito". E, "volvidos 17 anos, por aquilo que se sabe do FootballLeaks - e não estou a falar de nenhum clube nem de nenhuma pessoa, mas de um fenómeno - aparentemente no mundo do futebol é-se imune a qualquer espécie de escrutínio".

Liderou Apito Dourado

Maria José Morgado foi nomeada por Pinto Monteiro para liderar a equipa que investigou o caso Apito Dourado, em 2006.

"Pass" de assessora

Uma das "passwords" usada por José Augusto Silva, funcionário judicial acusado no e-Toupeira, para aceder aos processos era de Ana Paula Vitorino, assessora de Maria José Morgado na Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.