Justiça

Preso mais velho do país foi condenado por matar o genro

Preso mais velho do país foi condenado por matar o genro

O Tribunal de Loures condenou, esta segunda-feira, a quatro anos e nove meses de prisão o homem de 89 anos que, no verão de 2018, matou o genro com dois tiros de caçadeira.

Manuel Garcia foi condenado por homicídio simples na forma consumada e absolvido de homicídio qualificado. Como pena acessória, fica três anos inibido de porte de arma. O crime ocorreu num quadro de violência doméstica continuada, na localidade do Furadouro, no concelho de Torres Vedras.

A vítima, então com 60 anos, terá ameaçado e agredido com regularidade os sogros, com quem residia desde a morte da sua mulher, quatro anos antes. A hipótese de esta se ter suicidado, alegadamente por não aguentar as agressões do marido, chegou a ser avançada como motivação para o crime de Manuel Garcia, mas não está excluída a possibilidade de a mulher ter morrido de ataque cardíaco.

A 20 de fevereiro, na primeira sessão do julgamento, o procurador do Ministério Público (MP) pedira 14 a 15 anos de prisão para Manuel Garcia, admitindo que a pena pudesse ser cumprida fora da cadeia. Já a defesa do idoso pugnara pela "pena mínima possível" e apelara a que a esta fosse cumprida, por exemplo, num lar. Atualmente, o idoso encontra-se em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa. É preso mais velho do país.

O caso remonta a 6 de julho de 2018, quando o homem de 89 anos aguardou durante 45 minutos que António Patrício chegasse a casa, no Furadouro, para o matar com a caçadeira da própria vítima. "Era com ela que me ameaçava, foi com ela que morreu", afirmou, na primeira sessão do julgamento, o idoso, quando questionado sobre o porquê de não ter usado uma das armas que detinha legalmente.

O homicídio terá acontecido horas depois de mais uma discussão entre Manuel Garcia e António Patrício, com este último a ameaçar - segundo o depoimento então prestado - "apertar o papo" ao idoso e este a retribuir que, se o fizesse, iria "dar-se mal". O genro terá depois abandonado a habitação. Após cuidar da mulher - então acamada há um mês e entretanto falecida - Manuel Garcia esperou pelo genro. Quando este chegou, pelas 21 horas, terá disparado dois tiros, sem dizer uma palavra. O segundo acertou no peito. A confissão às autoridades foi feita no local.

"Estava desesperado", explicou, a 20 de fevereiro, o idoso, associando o ato, do qual se mostrou arrependido, ao facto de António Patrício agredir a sua mulher e ter de cuidar desta em permanência. A violência duraria desde que o genro se mudara para sua casa a pedido do neto, na ausência de quem terão ocorrido todas as agressões.

Questionado então sobre o porquê de nunca ter apresentado queixas às autoridades, Manuel Garcia foi perentório: "Era o pai do meu neto."

Por se tratar de um crime público, o caso poderia ter sido denunciado por qualquer pessoa.