Segurança

Inspetores da PJ entram em greve em agosto

Inspetores da PJ entram em greve em agosto

A Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ) entregou esta quinta-feira um pré-aviso de greve ao trabalho suplementar que se irá iniciar a 2 de agosto.

Os inspetores irão assim fazer greve ao serviço que aconteça entre as 17 horas e as 9 horas do dia seguinte, podendo afetar as operações e os serviços de prevenção. Enquanto a greve durar, este tipo de serviço será assegurado pelas equipas de piquete.

Ontem, depois de uma reunião no ministério da Justiça, Ricardo Valadas, o presidente da ASFIC, declarou aos jornalistas que não viram respondidas as suas reivindicações, nomeadamente em matéria remuneratória, mas disse mantém "a esperança" numa intervenção do primeiro-ministro e do tutelar das Finanças, considerando que estes têm a última palavra para resolver a questão.

"O documento foi-nos entregue com muito poucas horas de antecedência da reunião, estamos ainda a tentar perceber o que é que o documento traz, se, de certo modo, corresponde às declarações do primeiro-ministro e até do Presidente da República, que afirmaram que a Polícia Judiciária precisa de ser reforçada para combate à corrupção e combate à criminalidade grave e complexa e organizada", afirmou Ricardo Valadas.

O líder da ASFIC afirmou que, numa primeira análise do documento, há questões que "separam mesmo muito", sobretudo em relação às questões remuneratórias.

"Temos um estatuto que não é alterado há 20 anos, não tem a valorização que nós pretendíamos para uma profissão destacada, com todos os ónus que acarreta", disse.

O dirigente sindical referiu que já foram convocadas assembleias regionais para quinta-feira, para os associados se pronunciarem se querem ou não querem este documento", acrescentando que "a decisão dos associados será soberana, estando a opção por uma greve prolongada em cima da mesa" e que "o pré-aviso será entregue na quinta-feira se assim for deliberado".

Contudo, Ricardo Valadas acredita num acordo até ao final da legislatura, "uma vez que o primeiro-ministro reiteradamente tem afirmado a necessidade de reforçar a PJ, reiteradamente afirmar a necessidade de combate à corrupção".

"Não quero acreditar que o primeiro-ministro tenha exibido estas promessas nesta legislatura, já as tenha feito para a próxima legislatura, e não as cumpra para reforçar a única agência de investigação do país. Acredito que o ministro Mário Centeno e o primeiro-ministro têm a última palavra", expressou.