Ministério Público

Investigados contornos da morte de Ruben de Carvalho

Investigados contornos da morte de Ruben de Carvalho

O Ministério Público está a investigar os contornos da morte de Ruben de Carvalho, que terá entrado em coma na sequência de uma queda no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Ao JN, a Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de "um inquérito dirigido pelo Ministério Público do DIAP de Lisboa", sem arguidos constituídos. Anteriormente, sabia-se apenas que o histórico comunista tinha morrido no hospital, "em consequência de problemas de saúde que exigiram internamento hospitalar", segundo nota do PCP.

Já esta segunda-feira, fonte oficial do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, a que o Hospital de Santa Maria pertence, adiantou ao JN que, "tendo em conta as notícias que vieram a público, o Conselho de Administração decidiu abrir um processo de inquérito" para apurar o que aconteceu.

Ruben de Carvalho era responsável na Câmara Municipal de Lisboa pelo Roteiro do Antifascismo, membro do Comité Central do PCP e fazia parte da organização da Festa do Avante! desde o seu início, em 1976.

Jornalista de profissão, Ruben de Carvalho foi também chefe de redação do semanário Avante!, órgão central do PCP, entre abril de 1974 e 1995, chefe de redação da revista Vida Mundial e redator coordenador do jornal O Século.

Foi membro das "comissões juvenis de apoio" à candidatura do general Humberto Delgado, chefe de gabinete do ministro Sem Pasta, Francisco Pereira de Moura, no I Governo Provisório após o 25 de Abril de 1974, deputado à Assembleia da República eleito pelo distrito de Setúbal e vereador na Câmara Municipal de Lisboa.

Morreu na última semana, com 74 anos, e era o único membro no atual Comité Central do PCP que tinha estado preso nas cadeias da PIDE durante o Estado Novo.