Almada

Irmãs condenadas a prisão por matar recém nascida à facada

Irmãs condenadas a prisão por matar recém nascida à facada

Duas irmãs gémeas foram condenadas pela morte de uma bebé, no Seixal. Rafaela foi sentenciada com 18 anos e três meses de cadeia e Inês com 15 anos e três meses.

O Tribunal de Almada considerou as duas irmãs gémeas culpadas dos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver na forma tentada.

O Ministério Público tinha pedido, nas alegações finais do julgamento, que fosse aplicada a pena máxima a Rafaela e Inês Cupertino, pela morte da filha da primeira no momento do parto, que decorreu na noite de dez de abril em casa, no Seixal.

O procurador Joaquim Moreira da Silva admitia ainda assim uma atenuação da pena para Inês, tendo em conta que foi Rafaela quem desferiu as três facadas mortais no peito da própria filha.

Durante as alegações finais do julgamento, que decorre no Tribunal de Almada, a defesa das irmãs considerou que Rafaela deveria ser condenada por homicídio privilegiado, ou infanticídio, aplicando o tribunal uma pena suspensa. Quanto à irmã, Inês, Manuel Guerra Henriques pediu que fosse absolvida de todos os crimes.

Rafaela Cupertino não queria um terceiro filho da relação conturbada com o namorado e, após conseguir esconder a gravidez de todos, inclusive do companheiro, a jovem de 25 anos deu à luz, em casa, com a ajuda de Inês, sua irmã, e matou brutalmente a bebé, afogando-a e esfaqueando-a por três vezes no coração.

O relato do crime foi feito por Fátima Vira, a inspetora da Polícia Judiciária responsável pelo caso, na primeira sessão do julgamento, no Tribunal de Almada, onde Rafaela e Inês Cupertino, gémeas, hoje com 27 anos, respondiam por homicídio qualificado e profanação de cadáver. "Ela estava consciente do que fez", acrescentou a polícia.

Foi a forte hemorragia decorrente do parto, ocorrido na noite de 9 de abril, no Seixal, que levou a que Inês chamasse os bombeiros após tentar suturar a ferida da irmã. Já na ambulância, Rafaela confessou o homicídio à inspetora da PJ, e disse-lhe que o fizera porque "teve de ser".

O crime ocorreu no sexto andar direito do número 19 na Avenida Vieira da Silva, em Corroios, onde, nessa noite de segunda-feira, pernoitavam os dois filhos menores de Rafaela, alheios a tudo. Rafaela tinha chegado nessa madrugada de uma festa de música eletrónica em Fronteira, no Alentejo, onde esteve todo o fim de semana com o namorado, Diogo, e também onde, de acordo com o mesmo, consumiu estupefacientes e bebidas alcoólicas.