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Juve Leo vigiou polícias antes de atacar academia

Juve Leo vigiou polícias antes de atacar academia

Mensagens de WhatsApp apreendidas mostram que logística do ataque foi preparada ao pormenor.

Antes de invadirem a Academia do Sporting, em Alcochete, vários membros da Juve Leo vigiaram as autoridades para terem a certeza de que o caminho estaria livre para agredir equipa técnica e jogadores. O Ministério Público (MP), que acusou os 41 indivíduos responsáveis pelo ataque, além de Bruno Jacinto (ex-oficial de ligação aos adeptos do clube), Nuno Mendes (Mustafá), líder da claque, e ainda Bruno de Carvalho, ex-presidente leonino, como tendo determinado a invasão, acusou-os de um total de 4441 crimes de sequestro, qualificado como terrorismo, ofensas, ameaças, coação, tráfico de droga e posse de arma ilegal.

De acordo com a acusação da procuradora Cândida Vilar, a logística do ataque foi organizada ao pormenor através de vários grupos do sistema de troca de mensagens encriptadas na Internet WhatsApp. Os arguidos, todos membros da Juve Leo e próximos de Mustafá, quiseram ter a certeza que estava tudo "limpo" - palavra usada nas mensagens para dizer que não havia polícias.

Através dos grupos de mensagens, dois atacantes deram conta aos restantes de que quatro horas antes da invasão foram fazer um reconhecimento à Academia de Alcochete sem detetarem polícias.

Nas conversas mantidas, os indivíduos mostram bastante preocupação em "controlar" as autoridades. Um deles até se ofereceu para passar no posto da GNR de Alcochete, minutos antes do ataque, para ter a certeza de que "estava limpo". Também passou junto da Academia e nas rotundas das imediações para se certificar de que as autoridades não suspeitavam de nada. O local onde os adeptos se concentraram antes da invasão - um parque de estacionamento de um supermercado do Montijo - também foi vistoriado. Escolheram o supermercado porque "ao pé do Fórum do Montijo está carregado de bófias", disse um deles.

Bruno acusado de instigar ataque

Com o caminho livre, invadiram a Academia armados de tochas, cintos e bastões, com os quais agrediram técnicos e jogadores. E, para o MP, não há dúvidas de que Bruno de Carvalho instigou a invasão.

Numa reunião com os chefes dos Núcleos da Juve Leo, incluindo Mustafá, a 7 de abril, um dia depois de ter ameaçado, através do Facebook, os jogadores de suspensão, o ex-presidente do Sporting foi confrontado com o descontentamento da claque. Alguns deles sugeriram mesmo "visitar" os jogadores da Academia. Para o MP, apesar de saber que os treinos eram à porta fechada e o ambiente de insultos e crispação entre Mustafá e o seu "staff" só poderia agravar e pôr em causa a integridade física dos jogadores, Bruno de Carvalho disse: "Façam o que quiserem", respondendo-lhes sobre a eventual visita a Alcochete.

Todos os atletas sentiram medo

Ainda segundo a acusação do Ministério Público, no dia seguinte, o ex-líder do Sporting ameaçou William Carvalho durante uma reunião privada com os futebolistas, Jorge Jesus e o ex-"team manager" e arguido no processo Cashball, André Geraldes.

O capitão de equipa confrontou Bruno com uma informação que lhe tinha chegado. O presidente teria mandado Mustafá partir os carros dos jogadores.

Bruno saiu imediatamente e regressou cinco minutos depois com uma chamada em alta voz. Do outro lado do telefone estava Mustafá, que negou tudo. Foi depois disso que o ex-presidente ameaçou William Carvalho. Disse-lhe que, se lhe quisesse bater, não precisava de chamar ninguém. O que, de acordo com o MP, provocou medo em todos os jogadores, que interpretaram a frase como ameaça.

Seis arguidos estão em liberdade, enquanto 38 estão em prisão preventiva. Entre eles está Fernando Barata "Mendes", ex-líder da Juve Leo.

Noventa e oito crimes são imputados ao ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho. Enquanto co-autor moral, é acusado de 40 crimes de ameaça, 19 de ofensas à integridade física, 38 de sequestro, classificados como terrorismo e um de posse de arma ilegal.

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