Justiça

Mãe de aluno morto após praxe julgada por difamação

Mãe de aluno morto após praxe julgada por difamação

É uma mulher doente e fragilizada que vai começar a ser julgada, no Tribunal da Maia, por quatro crimes de difamação que poderão custar-lhe o pagamento de uma indemnização de 120 mil euros.

É este o montante pedido a Maria de Fátima Macedo, 65 anos, mãe de Diogo, o aluno da Universidade Lusíada de Famalicão que morreu no dia 7 de outubro de 2001, após uma praxe. A queixa partiu de Olavo Almeida, um estudante que nomeou num programa de televisão como "assassino" do filho.

Uma semana antes da morte, durante o ensaio da tuna académica, de que Diogo, de 22 anos, fazia parte, o jovem ter-se-á sentido mal. Do hospital de Famalicão foi levado para para o de S. João, no Porto, mas não houve melhoras e o jovem acabou por falecer.

A morte foi inicialmente atribuída a uma hemorragia cerebral, mas depois de uma maratona judicial que compreendeu recursos, análises, relatórios e um sem-fim de questões jurídicas, ficou assente que a morte surgiu como resultado de uma praxe violenta nas instalações da Universidade Lusíada.

Em 2013, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou a sentença do Tribunal de Famalicão que condenara a "Lusíada" a pagar 90 mil euros de indemnização à mãe de Diogo. A universidade foi considerada culpada por não ter controlado e evitado as praxes violentas. Contudo, o tribunal não identificou os culpados e, por falta de provas, o processo-crime contra os elementos da tuna inicialmente indiciados acabou arquivado.

Desabafo em direto

Passados 15 anos, após a morte, em 2013, de seis jovens estudantes da Universidade Lusófona, na praia do Meco, em Sesimbra, Fátima Macedo foi convidada a participar em programas da SIC e da TVI para falar de praxes, da dor de perder um filho e da ausência de culpados. Em lágrimas, em fevereiro de 2014, a mãe recorda o caso do filho e diz que existem dois suspeitos: "Fizeram um pacto de silêncio [na tuna]. Justiça era meter dentro da cadeia os assassinos do meu filho, porque há dois, um tal Olavo Almeida e um Armando", afirmou. É por causa deste desabafo que hoje Fátima vai começar a responder em tribunal.

Quando teve conhecimento destas afirmações, Olavo Almeida, um dos estudantes ilibados no inquérito-crime de homicídio, decidiu apresentar uma queixa que posteriormente transformou em acusação particular e que uma procuradora do Ministério Público da Maia considerou ter fundamento para ir a julgamento.