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Marroquino condenado a 12 anos de prisão por terrorismo

Marroquino condenado a 12 anos de prisão por terrorismo

O Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou, esta terça-feira, a 12 anos de prisão o marroquino suspeito de ter recrutado em Portugal operacionais para o Estado Islâmico. Desde 23 de março de 2017 que o arguido se encontra em prisão preventiva na cadeia de alta segurança de Monsanto, em Lisboa.

Abdesselam Tazi, de 65 anos, estava acusado dos crimes de adesão a organização terrorista internacional, falsificação com vista ao terrorismo, recrutamento para o terrorismo, financiamento do terrorismo e uso de documento falso com vista ao financiamento do terrorismo. Era suspeito de ter radicalizado vários marroquinos que conheceu no Centro Português de Refugiados na Bobadela, no concelho de Loures. Em Aveiro, partilhou o alojamento com Hicham El Hanafi, entretanto preso em França por suspeitas de preparar um atentado terrorista.

Lopes Guerreiro, advogado do marroquino, mostrou-se surpreendido com a decisão e vai recorrer.

Durante o julgamento, o arguido sempre alegou estar inocente, confessando apenas que criara um esquema de utilização fraudulenta de cartões de crédito para se sustentar ao longo dos anos.

Em outubro de 2018, o marroquino chegou a ser julgado, em Aveiro, somente por falsificação de documento e contrafação de moeda, depois de o Tribunal Central de Instrução Criminal ter considerado que não existiam indícios suficientes para Abdesselam Tazi ser pronunciado pelos crimes ligados ao terrorismo.

A decisão do juiz Ivo Rosa acabaria por ser revertida pelo Tribunal da Relação de Lisboa no mês seguinte. O julgamento anterior foi então anulado e, já em abril de 2019, o sexagenário começou a ser julgado em Lisboa, desta vez por todos os crimes de que fora inicialmente acusado pelo Ministério Público.

Esta terça-feira, o coletivo de juízes presidido por Francisco Henriques considerou que não ficou provado que Abdesselam Tazi tenha aderido ao Estado Islâmico, mas sustentou, ainda assim, que o marroquino recrutou para a organização terrorista quatro jovens da mesma nacionalidade.