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Ministério Público pede pena máxima para Diana e Iuri por crime "maquiavélico"

Ministério Público pede pena máxima para Diana e Iuri por crime "maquiavélico"

O Ministério Público pediu, na sexta-feira, em tribunal a aplicação da pena máxima, 25 anos de prisão, para Diana Fialho e Iuri Mata pela morte de Amélia Fialho na noite de um de setembro de 2018 no Montijo.

O MP considera que os arguidos assassinaram Amélia Fialho, mãe adotiva de Diana "de forma maquiavélica com requintes de barbárie" por não terem tido "paciência, tolerância e humanismo para esperar a vez de receber herança".

Moreira da Silva, procurador do MP de Almada classificou durante as alegações finais do julgamento a ação de Diana como a de "uma ingratidão humana mais profunda que se pode ver" tendo em conta que esta foi adotada por Amélia, "que se sentiu impulsionada a deitar mão a alguém que se sentia desvalidada e numa situação de vulnerabilidade". "A arguida fez um plano com o seu marido para se desenvencilharem da mãe e se apropriarem dos bens de vítima que tinha esperança de vida de mais 20 ou 30 anos".

Moreira da Silva descreveu o momento do plano, em que os arguidos concebem a hipótese de se desfazerem da vítima e "de forma discreta se livrarem do corpo". "Planearam adormecer a vítima, colocá-la numa posição de ausência de oposição para poderem sobre ele agir de forma mais mórbida que a imaginação humana pode alcançar". Sem arma do crime, Moreira da Silva apoia-se na reconstituição feita por Iuri Mata com os inspetores da PJ quando foi detetado, "de forma fortuita, o corpo numa zona de mato em Pegões pelo proprietário de um terreno", corpo esse que foi ligado a um desaparecimento realizado no Montijo.

Iuri Mata traçou passos do crime à PJ

"A defesa pretendeu confundir o panorama a dizer que não há martelo apreendido, mas existe um auto de diligência externa em que Iuri conduz os inspetores da PJ à bomba de gasolina, local onde depositaram o corpo e à Ponte Vasco da Gama, onde disse que se viram livres da arma do crime e dos bens da vítima", ressalvou o MP.

Iuri Mata conduziu os inspetores da PJ à bomba de gasolina onde compraram gasolina e o isqueiro. "As imagens não mostram a viatura porque os arguidos quiseram precaver-se de serem identificados naquele local, por isso estacionaram fora do posto e entraram a pé", relatou Moreira da Silva, que prosseguiu.

"Após adquirirem a gasolina e isqueiro, tinham tudo o que precisavam para a queimar o corpo". Diana e Iuri conduziram até à zona erma de Pegões onde incendiaram o corpo cerca de duas horas depois de sair da bomba de gasolina. Estiveram cerca de dez minutos no local, dirigiram-se à Ponte Vasco da Gama para se verem livres do martelo e bens da vítima e regressaram a casa. "Aqui, como relatado por Iuri, fizeram a limpeza possível e necessária com lixivia e aguardaram que tudo passasse". Moreira da Silva classifica como "curioso perceber porque os arguidos tiveram o cuidado de usar lixivia e dar ambiente à casa de forma tão intensa, o que demonstra a conduta dos arguidos".

No decorrer do julgamento, o MP diz que a prova testemunhal foi "arrasadora para os arguidos". "Nem foi a prova da acusação que os arrasou, mas a prova da defesa encarregou-se de deixar os arguidos isolados, no sentido de que nada seria possível fora desta lógica que desenhamos".

Apelos no Facebook mostram "desplante" dos arguidos

Após o crime, Diana fez apelos nas redes sociais e nos órgãos de comunicação social pela localização da mãe. "Há que dizer com toda a frontalidade, os arguidos são homicidas e tiveram o desplante de simular apelos, como se estivessem desejosos do regresso da mãe a casa".

O MP considera que "em determinadas situações foram impulsivos, quando perguntaram a colegas da vítima como teriam acesso aos bens da vítima". O apelo não convenceu as colegas de profissão de Amélia. "Diana convidou ainda uma das colegas da mãe para aparecer de braço dado a fazer mais um apelo, mas esse apelo foi recusado por razões mais que evidentes", referiu Moreira da Silva.

Um ano após testamento que beneficiava Diana, começaram as agressões

Em 1998, Amélia Fialho faz um testamento no qual deixa bens para a casa do Gaiato. Em 2013, o testamento é revogado e todos os bens passam para a filha. Um ano após surge a primeira queixa da Amélia contra a arguida, que foi "uma bola de neve na relação entre mãe e filha e a professora já estava a ponderar fazer uma revogação do testamento de 2013".

O MP admite ainda que tinha esperança que os arguidos surgissem em tribunal com outra posição, "assumindo os factos, concluindo o que é incontornável, mas mantiveram-se em situação de desgraçadinhos, deprimidos, sem pensar muito bem", refletiu Moreira da Silva, acrescentando que "entre os dias do crime e a detenção falaram às televisões e fizeram apelos nas redes sociais".