Investigação

França copia ficheiros de Rui Pinto por temer que Portugal destrua provas

França copia ficheiros de Rui Pinto por temer que Portugal destrua provas

As autoridades francesas conseguiram guardar 26 terabytes de documentos que Rui Pinto tinha no seu computador, antes de o alegado hacker ter sido extraditado para Portugal.

Uma missão orquestrada com as autoridades húngaras com o objetivo de evitar que a informação fosse destruída por Portugal, assegura a "Der Spiegel". A quantidade de material é cerca de oito vezes superior à que Rui Pinto tinha divulgado anteriormente a meios de comunicação social. Graças a esta informação, Cristiano Ronaldo teve de pagar quase 20 milhões de euros por fraude fiscal.

Uma equipa francesa especializada em crime económico foi, na semana passa, a Budapeste, na Hungria, para discutir uma das fugas de informação mais importantes da história, o "Football Leaks". A operação decorria há vários meses e teve que ser apressada, explica a revista alemã, depois de Rui Pinto ter sido detido em janeiro. As autoridades francesas já tinham revelado que o português estava a colaborar com o "Football Leaks".

Quando os franceses chegara à capital húngara, Rui Pinto já estava no processo de extradição para Portugal. Além de Rui Pinto, o tribunal decretou que todo o material informático que ele tinha na sua posse teria de ser entregue às autoridades portuguesas. Esta última decisão aumentou o receio de que o material na posse de Rui Pinto fosse destruído em Portugal, comprometendo, assim, o trabalho de um grupo de investigadores internacionais sobre crimes fiscais.

Operação combinada com as autoridades húngaras

A mais do que iminente extradição de Rui Pinto fez com os franceses combinassem com as autoridades da Hungria uma estratégia para copiar os dados que o português tinha na sua posse antes destes serem encaminhados para Portugal.

O objetivo foi alcançado e, segundo explica a "Der Spiegel", os procuradores franceses conseguiram mesmo copiar 26 terabytes de informação, cerca de 26 mil gigabytes, uma quantidade de dados muito superior aos 3,4 terabytes que o gaiense libertou e que se traduziram em mais de 70 milhões de documentos.

Esta não foi, porém, a primeira vez que um país demonstrou interesse nos alegados segredos de Rui Pinto. Logo em janeiro, a justiça belga demonstrou interesse em ter acesso aos documentos relacionados com os negócios do futebol. De acordo com a comunicação social belga, que confirmou a intenção junto do porta-voz do ministério público, Eric Van Duyse, as revelações ao abrigo do denominado "Football Leaks" levaram a uma série de buscas, em novembro, como parte de uma investigação por fraude e lavagem de dinheiro.

Entre os envolvidos estará o empresário israelita Pini Zahavi, que intermediou, por exemplo, a transferência de Neymar para o PSG, e que é suspeito de controlar ilegalmente o clube de futebol Royal Excel Mouscron, da I Divisão belga.

Próximo passo: quebrar a encriptação

Apesar de terem conseguido o primeiro grande objetivo, as autoridades francesas enfrentam agora uma nova dificuldade. É que esta informação está encriptada, ou seja, codificada.

Tal como o JN tinha avançado, Rui Pinto terá guardadas informações que poderão estar escondidas na Internet. Esta é pelo menos a convicção da justiça portuguesa. De acordo com informações recolhidas pelo JN, o gaiense começou a guardar informações sensíveis e até comprometedoras para ele em vários servidores espalhados pelo Mundo fora, acautelando a hipótese de, um dia, vir a ser detido e o seu material ser apreendido, o que aconteceu em meados de janeiro.

"Ora tomem", diz Ana Gomes

Quem já reagiu a esta revelação foi a eurodeputada Ana Gomes. "Ora bem! Ora tomem, os que queriam apoderar-se do acervo de Rui Pinto para o destruir", escreveu na sua conta de Twitter.

Os advogados de Rui Pinto anunciaram para o próximo dia 1 de abril uma conferência de imprensa para discutir o Football Leaks, a proteção dos "whistlenlowers" e o papel de Rui Pinto neste processo. A conferência vai contar a presença de Ana Gomes e de Anoite Deltour, um dos responsáveis pela divulgação do LuxLeaks.

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