Fiscalização

Morador do Jamaica que tirou foto com Marcelo apanhado a conduzir com álcool

Morador do Jamaica que tirou foto com Marcelo apanhado a conduzir com álcool

O morador do Bairro do Jamaica, no Seixal, que, a 20 de janeiro, foi detido pela PSP numa intervenção policial controversa e, posteriormente, fotografado com o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi detido por conduzir alcoolizado.

Hortencio Coxi foi apanhado na zona da Amora, pelas 3 horas de quinta-feira, com uma taxa de alcoolemia de 2,46 g/l, confirmou o JN. O valor, com uma margem de erro de 0,2 g/l, é quase cinco vezes superior ao limite mínimo legal (0,5 g/l). A partir de 1,2 g/l, a taxa já é considerada crime.

O homem, de 31 anos, ganhou presença mediática depois de ter sido o único detido na sequência dos desacatos no Bairro da Jamaica que, a 20 de janeiro, causaram ferimentos ligeiros num polícia e em cinco moradores. A PSP alega que, após ter sido chamada para uma outra situação, foi recebida à pedrada, enquanto os residentes se queixam do uso de força excessiva por parte das autoridades. Pelo menos dois agentes daquela força de segurança foram, posteriormente, alvo de processos disciplinares internos.

A intervenção, parcialmente gravada em vídeo e depois partilhada na internet, acabaria por incendiar as redes sociais e originar, logo no dia seguinte, uma manifestação no centro de Lisboa contra o racismo e a violência policial. O protesto terminou com a PSP a ser atacada com pedras e a ripostar com balas de borracha, numa das principais avenidas da capital. Quatro pessoas, nenhuma delas do Bairro da Jamaica, foram detidas e, um mês e meio depois, condenadas a penas de multa e de prisão suspensa por injúrias e participação em motim. O processo encontra-se em fase de recurso.

A sentença surgiu já depois de, a 4 de fevereiro, Marcelo Rebelo de Sousa se ter deslocado, de surpresa, àquele bairro, onde tirou uma selfie com alguns moradores, entre os quais Hortencio Coxi. O momento foi criticado no Facebook por Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, que acusou o presidente da República de "menosprezar" as forças de segurança.

"Não compreendo, francamente, como se pode equiparar comunidades e forças de segurança. São coisas diferentes. Por definição, as forças de segurança exercem a sua autoridade relativamente a todas as comunidades no espaço nacional, urbano ou não urbano. E estar a querer comparar, equiparar, essas realidades é diminuir o papel das forças de segurança", considerou, no dia seguinte, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da República - que, na ocasião, verificou "as condições sociais e o projeto de realojamento" do bairro - salientou ainda que é o "presidente de todos os portugueses". "Normalmente, quando pela rua contacto com os portugueses, não peço o cadastro criminal, nem o cadastro fiscal, nem o cadastro moral, para falar com eles ou tirar 'selfies' - não, é com todos", sublinhou.