Almada

MP pede 23 a 25 anos para filho que matou mãe com 15 facadas

MP pede 23 a 25 anos para filho que matou mãe com 15 facadas

O Ministério Público pede 23 a 25 anos para filho que matou a mãe com 15 facadas e lavou a arma do crime, em Almada.

"Em 31 anos de magistratura nunca tinha visto nada assim". Foi assim que João Davin, Procurador no Tribunal de Almada, classificou o assassinato de Etelvina Silva em casa pelo seu filho, Nuno Teixeira, com 15 facadas, 12 no pescoço, duas no peito e uma na cabeça.

O assassinado deu-se na noite de 27 de junho do ano passado no número 16 da Rua D. Francisco Manuel de Melo, em Almada. O MP pediu esta tarde durante as alegações finais no Tribunal de Almada a aplicação de uma pena entre os 23 e 25 anos de prisão para o arguido de 25 anos que acredita ter degolado a mãe de 49 anos e depois ter lavado a faca e o cenário do crime. João Davin entende que o autor foi motivado por uma queixa apresentada pela mãe na PSP por violência doméstica dias antes do crime e ainda por esta ter anunciado que ia requerer a guarda da sua neta, filha do agressor.

"O arguido pôs termo à vida da pessoa que lhe deu a própria vida, nunca demonstrou em tribunal qualquer arrependimento, nem uma lágrima, e isso chocou-me", disse João Davin. O magistrado acrescentou que o facto de Nuno ter lavado a arma, o cenário do crime e ainda ter arrumado os panos com que lavou o chão mostra "a frieza e calma com que agiu".

O arguido apresentou duas versões do crime, a primeira fornecida aos inspetores da PJ quando foi detido e onde assumiu o crime cometido no quarto da habitação, e a segunda em tribunal, onde atribuiu a autoria a um terceiro indivíduo, motivado por uma dívida de droga de cerca de nove mil euros. Nuno Teixeira referiu que na noite do crime, três indivíduos entraram no anexo do número 16, onde se encontrava com a mãe e exigiram-lhe os nove mil euros que este se apropriou indevidamente quando realizou um transporte de droga dias antes entre Almada e Sesimbra. Dois deles sovaram-no na sala de estar enquanto um outro assassinou brutalmente a mãe no quarto desta.

O mandatário do arguido, Fernando Cortez, pediu a absolvição do jovem de 25 anos, apontando para a falta de motivação do crime. "O Nuno apresentou a primeira versão apenas para proteger a sua filha menor, razão pela qual essa não deve ser em conta pelo tribunal", referiu Fernando Cortez, que acrescentou que o arguido não tinha qualquer interesse em matar a própria mãe. O Ministério Público considerou que a faca utilizada por Nuno para assassinar a própria mãe, lavada e deixada no lava louça após o crime, é uma prova que "fala de forma eloquente".

O sangue do autor foi encontrado no seu cabo de madeira e tal deve-se, do ponto de vista do MP, às lesões provocadas por si próprio enquanto esfaqueava a mãe na cama desta. Etelvina foi atacada na cama, caiu da cama e arrastou-se para a porta do quarto, onde viria a falecer. Fernando Cortez desmentiu a versão do MP e defendeu que o arguido sofreu estas lesões por manusear facas no seu posto de trabalho, atrás dum balcão a fazer sandes para os clientes, e que a explicação para o sangue estar naquela faca que o arguido nunca indicou como a arma do crime passa por este ter feito um lanche para a mãe nessa tarde. A sentença será proferida no final de junho no Tribunal de Almada.