Santa Maria da Feira

Mulher nega burla de milhares de euros a padre de Milheirós de Poiares

Mulher nega burla de milhares de euros a padre de Milheirós de Poiares

Uma das duas mulheres acusadas de burlar o padre de Milheirós de Poiares, Feira, com publicidade em listas telefónicas e roteiros, negou, na manhã desta quarta-feira, em tribunal, ter cometido o crime de que é acusada.

A mulher, acusada de crime de burla qualificada, afirmou que na altura dos factos não se encontrava na empresa, mas que as colaboradoras procederam corretamente na celebração dos acordos de publicidade.

Perante o tribunal, a arguida, que foi sócia gerente de uma empresa de publicidade entretanto extinta, admitiu que foram feitos sete contratos com o assistente, adiantando que os montantes referidos na acusação do Ministério Público (MP) foram pagos e os serviços foram prestados.

"Estava grávida, em casa e nunca falei com o senhor padre", referiu a mulher garantindo que a empresa de que foi sócia e que entretanto foi extinta, prestou os serviços que foram acordados e pagos pelo padre.

A empresária diz que, apesar de não estar presente na empresa na altura dos contactos com o padre, foram seguidas as regras, não tendo havido coação para o padre pagar a publicidade. "Não estava lá, mas posso garantir que as minhas funcionárias não falaram assim. Não admitia que falassem desses modos porque senão eram despedidas", assegurou.

Mais tarde, acabou por referir que, depois de conhecer pessoalmente o padre, no tribunal, lhe pagaria a verba em causa, se tivesse dinheiro para tal. Afirmou mesmo "sentir-se culpada", apesar de afirmar a legitimidade dos atos praticados pela empresa e seus colaboradores.

A segunda arguida, que foi sócia gerente de uma outra empresa do mesmo ramo, optou por não prestar declarações no início do julgamento.

O processo chegou a ter oito arguidos, mas os restantes chegaram a acordo com o padre evitando ir a julgamento.

De acordo com a acusação, o esquema fraudulento ocorreu entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011. Provocou um prejuízo aproximado de 120 mil euros nas paróquias de Milheirós de Poiares (Santa Maria da Feira) e Macieira de Sarnes (Oliveira de Azeméis), onde o padre exerceu funções.

O padre Frenando Gonçalves terá sido contactado várias vezes pelos arguidos para pagar as faturas da publicidade nas listas telefónicas. Publicidade que o MP diz ter sido inserida sem autorização do padre e sem a necessária assinatura do contrato.

Ameaçado pelos arguidos, o padre, que tem idade avançada e sofria de doença, pagou as dívidas, apesar de considerar que não tinha efetuado qualquer contrato.

Em carta enviada aos alegados credores fez saber que a paróquia, como instituição de acolhimento a quem precisa, "não se pode dar ao luxo de gastar/esbanjar dinheiro, que é fruto das ofertas dos fiéis, em coisas supérfluas, quando tem tantas carências a quem dar resposta imediata".

"Já gastámos convosco muito para além do nosso parco orçamento. E o povo não nos perdoa", disse em carta o padre, pedido também o cancelamento de qualquer publicação futura.