Lisboa

O que se se sabe sobre o motim que já era esperado há semanas

O que se se sabe sobre o motim que já era esperado há semanas

Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso refere que avisou entidades para a revolta dos presos. Desacatos já estão controlados, mas poderão acontecer noutras prisões do país.

O secretário-geral da Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR), Vítor Ilharco, refere que o motim dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Lisboa, que levou a que colchões e caixotes do lixo da Ala B fossem incendiados, já era expectável há largas semanas. "A greve dos guardas prisionais impede, há cerca de um ano, os reclusos de trabalhar, de receber visitas, de ir às aulas e de telefonarem para os familiares. Também estão impedidos de comprar nas cantinas os bens de primeira necessidade - como produtos de higiene, comida, papel higiénico e tabaco - que as visitas também não podem levar. Isto ao longo de um ano causa revolta e pior fica quando, na altura de Natal, marcaram mais 20 dias de greve que cancelaram todos os jantares de Natal previstos", refere.

Vítor Ilharco acrescenta que, "ao longo de um ano", a APAR avisou "dezenas de vezes autoridades como o Parlamento, a procuradora-geral da República ou a provedora da Justiça, mas ninguém fez nada".

O clima de revolta que originou o motim em Lisboa é patente também noutras prisões, nas quais poderão ocorrer situações semelhantes. É o caso do Estabelecimento Prisional do Porto, situado em Custóias. "Fui visitar o meu marido no último domingo e, pela primeira vez desde que ele está preso, o bar da sala de visitas estava fechado. Não consegui comprar comida ou água para lhe dar. Com o bar fechado também não foi possível comprar os quatro maços de tabaco que ele podia levar para a cela. Ele disse-me que se a greve continuar o pessoal vai revoltar-se", afirma, ao JN, Silvina Martins.

A esposa de um recluso diz ainda que os bares das cantinas existentes na cadeia têm estado, também devido à greve dos guardas prisionais, encerrados, impedindo os presos de adquirem os produtos habituais.

ver mais vídeos