Crimes

Palito, Piloto e Joaquim.Três homicidas portugueses que estiveram em fuga

Palito, Piloto e Joaquim.Três homicidas portugueses que estiveram em fuga

No dia em que a Polícia Judiciária deteve o foragido Joaquim Ribeiro, suspeito de matar um casal em Amarante na semana passada, o JN recorda esse e outros dois casos de homicidas que escaparam aos radares das autoridades durante determinado período.

Joaquim Ribeiro, oito dias em fuga

Joaquim Ribeiro, de 48 anos, colocou-se em fuga no dia 28 de maio, depois de matar a tiro a ex-companheira e o namorado, em S. Gens, Amarante. Ao fim de oito dias fugido, foi detido pela Polícia Judiciária, esta quarta-feira de manhã, na zona de Felgueiras.

Joaquim Vaz, de 43 anos, morreu depois de ter sido atingido na cabeça, perto da pastelaria Delícias da Avó, da qual era proprietário. A namorada da vítima e ex-companheira do alegado homicida, Sónia Leite, na casa dos 30, foi atingida no peito e ficou gravemente ferida, tendo acabado por sucumbir aos ferimentos, no Hospital de S. João, para onde foi transportada.

O autor dos disparos, que fugiu de carro do local, foi hoje detido em Varziela, Felgueiras, "pela prática de dois homicídios qualificados", esclarece a PJ em comunicado. "Na sequência de um comportamento persecutório que o arguido vinha mantendo para com a vítima do sexo feminino, sua ex-namorada", na tarde de 28 de maio, "na via pública, após ter efetuado ação de vigilância a espaço frequentado pelas vítimas, o arguido, munido de uma espingarda caçadeira, efetuou dois disparos que provocaram a morte do casal".

O detido vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para lhe serem aplicadas as medidas de coação adequadas.

Pedro Dias ("Piloto"), 28 dias em fuga

Pedro Dias esteve fugido durante 28 dias, depois de, no dia 11 de outubro de 2016, ter disparado sobre dois militares da GNR e um casal que viajava na Estrada Nacional 229, em Aguiar da Beira, na Guarda. Três das vítimas acabariam por morrer. Ao fim de quase um mês de buscas, durante o qual o Ministério Público da Guarda emitiu um mandado de detenção europeu, o homicida entregou-se à Polícia, na noite de 8 de novembro desse ano, na casa de uma amiga da família, em Arouca, na qual já estaria há 15 dias.

Foi uma detenção com pompa e circunstância, acompanhada pela RTP, a pedido do próprio fugitivo, para "preservar a segurança e integridade". Os advogados Rui Silva Leal e Mónica Quintela ​​​​​​combinaram com Almeida Rodrigues, então diretor nacional da Polícia Judiciária, a entrega do suspeito, com a condição de ser filmada por aquela estação televisiva, alegadamente por ter receio do confronto com as autoridades.

Em março de 2018, "Piloto", como também é conhecido, foi condenado pelo Tribunal da Guarda à pena máxima de 25 anos de prisão, em cúmulo jurídico, pelos vários crimes cometidos em Aguiar da Beira, entre os quais três homicídios consumados: o do militar da GNR Carlos Caetano e os de Liliane e Luís Pinto, civis que viajavam na EN 229. O arguido foi ainda condenado pelos crimes de tentativa de homicídio do militar da GNR António Ferreira, de ofensa à integridade física qualificada, sequestro, roubo, furto e detenção de arma proibida. A pena foi confirmada em outubro do ano passado pelo Tribunal da Relação de Coimbra, que julgou o recurso apresentado pela defesa de Pedro Dias.

Manuel Baltazar (Manuel "Palito"), 34 dias em fuga

O caso de Manuel Pinto Baltazar, mais conhecido por "Palito", remonta a 17 abril de 2014 e é, dos três casos aqui recordados, o que se refere a um período em fuga mais extenso. Manuel Baltazar esteve 34 dias a monte depois de ter matado a sogra e uma tia da ex-mulher, e ter ainda ferido a filha e a antiga companheira, em Valongo dos Azeites, concelho de S. João da Pesqueira, quando as quatro estavam num armazém a fazer bolos para a Páscoa.

"Palito", na altura com 60 anos, acabou por ser detido no dia 21 de maio desse ano, quando, bastante debilitado, tentava entrar em casa, na freguesia de Trevões, vigiada por meios eletrónicos e por agentes nas redondezas. O homicida estava armado com uma caçadeira, mas não ofereceu resistência.

Foi condenado em julho de 2015 à pena máxima de 25 anos de prisão. O tribunal de Viseu considerou provado que Manuel Baltazar tinha a intenção de matar as quatro vítimas, disparando contra a filha e a ex-mulher (Sónia Baltazar e Maria Angelina Baltazar, que ficaram feridas) e duas familiares desta (a tia e a mãe, Elisa Barros e Maria Lina Silva, que morreram).