Guimarães

Padre e três religiosas acusados de escravidão

Padre e três religiosas acusados de escravidão

O Ministério Público de Guimarães acusou quatro pessoas - três mulheres e um homem - e uma organização religiosa sedeada em Famalicão de nove crimes de escravidão.

Segundo a página da internet da Procuradoria-Geral da República o arguido, um padre, e as três arguidas, "irmãs", estão acusados de entre 1985 até 2015, angariarem jovens do sexo feminino, "de raízes humildes, com poucas qualificações ou emocionalmente fragilizadas, que acolheram na instituição a pretexto de formarem uma comunidade espiritual de raiz católica e de satisfazerem os anseios daquelas de seguirem uma vida religiosa".

Contudo, acusa o MP, depois "usaram" as jovens "para desempenhar todas as tarefas diárias exigidas para a conservação e manutenção da sua atividade, sem qualquer contrapartida". Acrescenta que estas se sujeitavam a um "clima de terror" que as mantinha em "regime de total submissão, sem possibilidade de reação".

Os arguidos estão acusados de imporem às "jovens ofendidas" jornadas de trabalho que "chegavam a atingir vinte horas, infligiam-lhes castigos físicos como bofetadas e pancadas no corpo com objetos se o não faziam ou faziam mal feito". E acrescenta a acusação que insultavam as jovens, impunham-lhes castigos "consistentes na privação de alimentação e de banho ou na obrigação de dormir no chão".

De acordo com a mesma fonte, os contactos com o exterior eram controlados, e as jovens eram ainda, "privadas de informação, de contactos com familiares e até da documentação pessoal".

A IPSS constituída sob a forma de Instituto de Organização Religiosa, pessoa jurídica canónica está acusada dos mesmos crimes.