Ministério Público

Pequeno café era ponto-chave do tráfico de droga em Valongo e Maia

Pequeno café era ponto-chave do tráfico de droga em Valongo e Maia

Um pequeno café de Valongo teve, pelo menos durante dois anos, um papel fulcral no tráfico de drogas naquele concelho e no da Maia, segundo o Ministério Público (MP), que levou a julgamento 11 pessoas alegadamente envolvidas no caso.

No café, pelo menos entre julho de 2017 e maio de 2018, havia conversas difíceis de compreender sobre "camisolas" ou "meias", mas o MP diz que se tratava de linguagem codificada a respeito do tráfico, sobretudo haxixe e cocaína, que ali se ia fazendo.

A droga era vendida pelos dois homens que exploravam o café e por dois colaboradores diretos, um dos quais também escondia o produto na sua habitação, segundo a acusação, a que a agência Lusa teve acesso.

As cautelas do grupo não evitaram que a GNR descobrisse o que se passava e apreendesse drogas e materiais associados ao tráfico, em 28 de março de 2018.

Ainda assim, a atividade ilícita prosseguiu mais algum tempo. Segundo o processo, "persistiram na sua atividade delituosa e continuaram, com regularidade, à cedência a terceiros, mediante contrapartida monetária, para consumo por estes, de produto estupefaciente".

Fora das portas do café, o MP assinala, a partir da prova recolhida por várias vias, nomeadamente escutas telefónicas, a ocorrência de entregas periódicas dos estupefacientes em locais previamente acordados com os consumidores, como parques de estacionamento ou imediações de superfícies comerciais.

Alguns dos traficantes vendiam as drogas à consignação.

Segundo a investigação, a rede de tráfico era fornecida sobretudo por um homem de São Pedro Fins, na Maia, também no distrito do Porto.

Ao distribuir o estupefaciente pelos consumidores e por quatro outros acusados no processo, "para que estes por sua vez procedessem, cada um deles, à venda a terceiros", o arguido "sabia que estava a potenciar a distribuição de estupefaciente a um grande número de pessoas, o que era seu propósito, tendo em vista um incremento dos seus lucros".

Os 11 arguidos, cinco deles em prisão domiciliária, estão todos acusados pela prática de tráfico de droga, num dos casos agravado, sendo que a três deles também é imputado o crime de detenção ilegal de arma.

O julgamento está a decorrer no Tribunal de São João Novo, no Porto, tendo agendada mais uma sessão para a manhã de quinta-feira.