Investigação

PJ faz buscas no hospital de Cascais por falseamento de resultados

PJ faz buscas no hospital de Cascais por falseamento de resultados

A Polícia Judiciária fez buscas, , no Hospital de Cascais, para recolher prova do alegado falseamento de resultados desta unidade em regime de parceria-pública privada (PPP).

A Polícia Judiciária fez buscas, esta segunda-feira, no Hospital de Cascais, para recolher provas do alegado falseamento de resultados desta unidade de saúde, que funciona em regime de parceria-pública privada (PPP).

Estão em causa suspeitas sobre a adulteração sistemática de dados clínicos relativos aos doentes atendidos no Hospital de Cascais, como forma aumentar o financiamento público do parceiro privado da PPP, segundo denunciaram atuais e antigos funcionários da unidade, gerida pelo Grupo Lusíadas Saúde.

Aquelas denúncias foram transmitidas às autoridades e, também, objeto de reportagem da SIC, que foi transmitida na semana passada. Nesta ocasião, a Procuradoria-Geral da República confirmou a pendência do inquérito-crime no Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Sintra. E, já esta segunda-feira, confirmou as buscas no Hospital de Cascais.

Nesta diligência, a Polícia Judiciária terá procurado recolher documentação e outro material que possa esclarecer e fazer prova das denúncias. Na tarde desta segunda-feira, foi noticiado que a Judiciária também tinha estado na sede do Grupo Lusíadas Saúde, em Lisboa, mas uma fonte próxima da investigação apenas confirmou a realização de diligências no Hospital de Cascais, também chamado Hospital Dr. José de Almeida.

Gravidade aligeirada

Uma das situações denunciadas e sob investigação tem que ver com a atribuição de pulseiras, segundo o sistema de triagem de Manchester, aos doentes que se dirigem ao serviço de urgências do hospital. Este é suspeito de pressionar os funcionários para que que, à entrada dos doentes nas urgências, atribuam aos mesmos uma pulseira de cor correspondente a nível de gravidade e prioridade inferior ao adequado (por exemplo: entre a pulseira verde e a amarela, optar-se-ia pela verde), para aumentar o prazo de atendimento do doente.

O Hospital de Cascais é considerada como uma das unidades de saúde com serviço de urgências que mais respeita dos tempos máximos de espera correspondentes a cada pulseira - azul (240 minutos), verde (120), amarela (60), laranja (10) e vermelha (sem tempo de espera, atendimento imediato) -, sendo certo que o incumprimento é causa de penalizações financeiras por parte do Estado.

Gravidade empolada

Outra das situações denunciadas tem que ver com uma alegada pressão sistemática sobre médicos e enfermeiros para, em sentido contrário ao verificado nas urgências, fazerem registos do doente que agravavam a respetiva situação clínica, empolando critérios de severidade e comorbilidade. Uma antiga funcionária ouvida pela "SIC" exemplificou com supostas instruções para serem registados no processo do doente tumores antigos e tratados.

Em função daqueles registos e da codificação dos atos médicos praticados, as autoridades públicas atribuem um índice de complexidade de cada hospital. E, quanto mais alto este for, maior é o financiamento público. Segundo a SIC, nos últimos dois anos, o Hospital de Cascais foi classificado com um nível de complexidade muito alta, apesar de não praticar, por exemplo, cirurgias oncológicas.

Hospital atira para funcionários

Depois de a Procuradoria-Geral da República confirmar a pendência de uma investigação criminal, o hospital do Grupo Lusíadas Saúde negou "qualquer envolvimento no falseamento de quaisquer resultados clínicos ou de quaisquer algoritmos de sistema de triagem".

Acrescentou que os factos relatados na reportagem, "a terem ocorrido, se referem a comportamentos individuais". Por isso, o Grupo Lusíadas disse que vai "proceder à aferição da veracidade dos mesmos e, no caso de haver comportamentos inadequados, proceder à implementação das correspondentes ações corretivas".