Investigação

PJ sabe onde estão crianças vendidas por mais de 20 mil euros

PJ sabe onde estão crianças vendidas por mais de 20 mil euros

Denuncia anónima "com alguma consistência" alertou para desaparecimento de bebés após gravidezes da mulher, de nacionalidade brasileira. Quatro crianças, entre um e sete anos, terão sido vendidas por valores acima de 20 mil euros e estão em países da UE, afirmou o diretor da PJ Porto. Casal já saiu do TCI do Porto com medidas de coação diferentes.

"As crianças eram filhas biológicas da detida", de 41 anos, e seriam "geradas já com o objetivo de serem posteriormente vendidas", afirmou, esta quinta-feira, Norberto Martins em conferência de imprensa, no Porto.

Segundo o responsável, as crianças, que agora terão entre um e sete anos de idade, foram vendidas por valores acima de 20 mil euros cada, a cidadãos europeus, e que entre as famílias de destino existem portugueses. As autoridades sabem onde estão as quatro, todas em países da União Europeia, e que "é possível dizer que não estarão em perigo".

O diretor da PJ Porto avançou que têm sido feitos contactos com as entidades policiais dos países onde as crianças estão, mas que, nesta fase da investigação, "por estratégia policial", não poderia dizer quais.

Norberto Martins frisou que a moldura penal para estes casos é "extremamente curta - até cinco anos -" e que até "pode ser eventualmente chocante" quando comparada com outras.

Dois detidos por tráfico de recém-nascidos

A PJ anunciou que deteve dois suspeitos residentes no Grande Porto da prática de crimes de tráfico de recém-nascidos. Os detidos, acrescenta a nota de imprensa, têm 41 e 45 anos, respetivamente, residindo na área do Porto e Vila do Conde, com profissão de pasteleira e construtor civil, e mantêm relação comum há cerca de dez anos.

Segundo a PJ, os crimes indiciados "decorreram no período compreendido entre julho de 2011 e 2017 e consistiram na entrega de quatro recém-nascidos, mediante pagamentos pecuniários e outras contrapartidas, a cidadãos residentes no espaço europeu".

No decurso das "diligências de investigação efetuadas durante vários meses, complementadas com buscas domiciliárias efetuadas no dia de ontem [quarta-feira], foi recolhido acervo de matéria probatória relevante relacionada com os factos em investigação".

Os dois detidos foram presentes à autoridade judiciária para primeiro interrogatório judicial. Saíram esta noite do TIC do Porto com medidas de coação diferentes. A mulher fica em prisão domiciliária e o homem terá de fazer apresentações diárias às autoridades.

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