Justiça

Prisão preventiva para suspeitos de explorar 20 casas de prostituição

Prisão preventiva para suspeitos de explorar 20 casas de prostituição

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa aplicou a prisão preventiva a dois dos três detidos de explorar cerca de 20 casas de prostituição de norte a sul do país.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) realizou, na quarta-feira, uma operação que desmantelou uma rede criminosa suspeita de explorar cerca de duas dezenas de casas de prostituição em vários pontos do país, na qual deteve duas mulheres e um homem.

Em resposta escrita enviada, domingo, à agência Lusa, o SEF refere que o juiz de instrução criminal decretou a medida de coação mais gravosa a dois dos arguidos: prisão preventiva para uma cidadã de nacionalidade estrangeira, alegada líder da organização criminosa, e para um cidadão português.

A outra detida, uma mulher portuguesa, saiu em liberdade, depois de presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

A operação, que decorreu na quarta-feira, foi efetuada nas localidades de Caldas da Rainha, Cadaval, Santarém, Leiria, Ourém, Nazaré, Évora, Quarteira e Faro, com vista ao cumprimento de 24 mandados judiciais, emitidos no decurso de investigação, dos crimes de tráfico de seres humanos para exploração sexual, auxílio à imigração ilegal, lenocínio e branqueamento de capitais.

"A operação visou o desmantelamento de uma organização liderada por uma cidadã de nacionalidade estrangeira que teria a seu cargo a gestão de cerca de duas dezenas de locais de prostituição de norte a sul do país", referiu o SEF, em comunicado divulgado na quinta-feira.

Foram realizadas três detenções, sete buscas a domicílios, uma busca a escritório, uma busca a estabelecimento comercial e buscas e apreensão de viaturas.

Os detidos, dois de nacionalidade portuguesa e um de nacionalidade estrangeira, têm idades entre os 30 e os 60 anos.

A investigação, sob a direção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), teve origem numa denúncia telefónica que identificava uma organização criminosa que se dedicaria ao tráfico de mulheres e "obrigavam as mesmas a praticar a prostituição e a fazer sexo sem preservativo", referindo ainda que estas mulheres eram mantidas em "cativeiro", "passavam fome" e eram "espancadas e violadas".

"Em resultado das diligências de investigação foi desenvolvida esta ação policial que permitiu desmantelar a atividade dos principais suspeitos e sinalizar uma vítima de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual", acrescentava a nota.

Segundo o SEF, as buscas levaram à apreensão de várias provas, destacando-se a "elevada quantidade de ouro apreendido numa das casas, bem como a apreensão de centenas de milhares de euros em cheques passados ao portador, duas viaturas recentemente adquiridas pelos suspeitos, diversos extratos bancários, agendas, material informático, documentação vária e outro material que relacionam os suspeitos com a atividade criminosa".

Na operação foram identificadas 36 pessoas, 30 das quais de nacionalidade estrangeira e as restantes de nacionalidade portuguesa.

"Foi ainda efetuada uma detenção em flagrante delito de uma cidadã estrangeira em situação irregular em território nacional e notificadas mais quatro para abandono de território nacional", indicava o comunicado.

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