Julgamento

Psicóloga sobre Supernanny: "Os pais não são donos das crianças"

Psicóloga sobre Supernanny: "Os pais não são donos das crianças"

A psicóloga Rute Agulhas defendeu, esta sexta-feira, no Tribunal de Oeiras, que o programa Supernanny "viola os direitos das crianças" e pode promover "maus tratos emocionais".

Rute Agulhas foi arrolada como testemunha pelo Ministério Público na ação contra a Sic. Esta sexta-feira, na segunda sessão de julgamento, a especialista em psicologia clínica e forense, docente universitária e membro do conselho jurisdicional da Ordem dos Psicólogos arrasou o programa da estação de televisão de Carnaxide. Considerou que o Supernanny "viola de forma grotesca os direitos das crianças", que as técnicas de psicologia - como a "time out" (banquinho de castigo) - foram mal aplicadas e que a exposição de fragilidades, na sua intimidade, pode representar situações "humilhantes" e preconizar "maus tratos emocionais".

"Os pais não são donos das crianças. Os seus direitos não são ilimitados", respondeu quando confrontada com os termos de autorização assinados pelos pais. As crianças também terão assinado autorizações mas a psicóloga defendeu que nenhuma tem maturidade cognitiva ou emocional para tomar uma decisão consciente e informada.

Rute Agulhas sublinhou que o programa apresenta técnicas de psicologia comportamental que podem ser aplicadas durante anos, como se tratassem de "receitas milagrosas", "rápidas" e "universais" para todas as crianças. "Não há receitas de parentalidade", insistiu.

Confrontada pelo advogado da Warner, Paulo de Jesus Correia, sobre se o programa causará trauma às crianças, a especialista sublinhou que esse nexo "pode acontecer".

Durante a tarde, será visualizado o terceiro episódio do programa Supernanny, à porta fechada. Este programa não chegou a ser transmitido pelo canal.