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Psicoterapeuta apanha pena suspensa por agredir avó

Psicoterapeuta apanha pena suspensa por agredir avó

Um psicoterapeuta, de 50 anos, atualmente desempregado e com problemas de toxicodependência, foi condenado a dois anos e três meses de prisão, com pena suspensa, pelo Tribunal de S. João Novo, no Porto, por agredir a avó, de 88 anos, a quem exigia dinheiro para satisfazer o vício da droga.

O homem tinha sido proibido pelo tribunal de se aproximar da vítima, desde novembro do ano passado, mas continuou a viver com a idosa. Por ter violado as medidas de coação, foi entretanto colocado em prisão preventiva e libertado no fim do julgamento. Continua, no entanto, proibido de se aproximar da avó.

O indivíduo, que foi acusado pelo Ministério Público de violência doméstica agravada e de extorsão na forma continuada, vivia há muito com a familiar, que se sustenta com uma reforma. De acordo com a acusação do MP, quando a idosa não lhe dava dinheiro, porque não tinha, o neto insultava-a e, numa ocasião, chegou a agredi-la com uma bofetada.

Muitas vezes, a idosa implorava, aos gritos, para que o neto parasse de a agredir e os vizinhos ouviam os lamentos da mulher: "larga-me, não tenho, deixa-me, não tenho dinheiro, vai-te embora". O clima de violência doméstica levou a idosa a refugiar-se em casa de uma amiga, numa das ocasiões em que já não tinha dinheiro para dar ao neto. O indivíduo acabou por ser detido pela PSP e, a 24 de novembro do ano passado, uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal do Porto proibiu-o de contactar com a avó e obrigou-o a sair de casa. Mas o psicoterapeuta nunca acatou as ordens do tribunal e permaneceu na residência. Cerca de 15 dias antes do início do julgamento, no final de agosto, a PSP, acompanhada de técnicas da Segurança Social, verificou que o homem continua a viver com a idosa. O tribunal ordenou prisão preventiva.

Acabou condenado a uma pena suspensa, mas com regime de prova: tem de tratar o problema de toxicodependência.

Idosa criticou vizinhos

Numa inspeção da PSP, a idosa, que sabia das proibições impostas ao neto pelo tribunal, garantiu que o neto nunca lhe fez mal e que, por ela, ele iria continuar a viver em casa. Também criticou os vizinhos que alertaram as autoridades para a situação de violência doméstica.

26 mil participações

Só no ano passado, as forças e serviços de segurança registaram 26 713 participações de violência doméstica. Apesar destes números, apenas 16% das queixas chegaram a tribunal. Destas, cerca de 70% foram arquivadas, após averiguações.

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