Açores

Raptam e mordem orelha de homem para obrigar irmã a retirar queixa

Raptam e mordem orelha de homem para obrigar irmã a retirar queixa

A Polícia Judiciária (PJ) dos Açores deteve dois homens, de 24 e 32 anos, por raptarem, agredirem e roubarem um terceiro indivíduo, de 21.

Os suspeitos, que um juiz pôs ontem em prisão preventiva, cometeram os crimes para pressionar a irmã da vítima a desistir de uma queixa, por violência doméstica, contra o mais novo dos raptores, explica fonte da PJ.

Os factos ocorreram na semana passada, durante a noite, no concelho de Velas, ilha de S. Jorge. A vítima foi abordada na via pública, agredida e amarrada, antes de ser metida num carro e levada para um local ermo, "onde continuou a ser agredida e foi sujeita a tratamento cruel e degradante", informou a PJ. Uma fonte policial observou que a vítima teve de ser suturada numa orelha, porque rasgaram-lha à dentada.

A mesma fonte conta que, antes de abandonarem a vítima, em tronco nu, os suspeitos também lhe roubaram um telemóvel, avaliado em 600 euros. Mas o seu objetivo não era roubar, acrescenta. O mais novo dos agressores estava a gozar da suspensão de uma pena, num processo de violência doméstica. Recentemente, iniciou outra relação, mas, em dado momento, a nova namorada deixou-o. Não se conformou, assumindo comportamentos violentos, que a levaram a queixar-se à autoridade de violência doméstica.

Aquela queixa não levou a Justiça a revogar a suspensão de pena de que estava a beneficiar o agressor, mas este terá entendido que o risco persistia. Por isso, terá decidido usar o irmão da vítima para a "convencer a desistir da queixa", justifica fonte da PJ próxima da investigação.

O juiz de instrução de Velas aplicou ontem a medida de coação mais pesada aos dois suspeitos, mas concedendo que o mais velho possa passar já para o regime de prisão domiciliária.

Crime público - A violência doméstica é um crime de natureza pública, pelo que o procedimento criminal não depende de queixa da vítima.

Colaboração essencial - A desistência de queixa não trava o processo. Mas se a vítima não colaborar com as autoridades e estas não tiverem mais provas, o mais certo é o arquivamento.