Arquivamento

Receios de terrorismo que "fecharam" praça do Porto partiram de turista

Receios de terrorismo que "fecharam" praça do Porto partiram de turista

As suspeitas de ataque terrorista que levaram a PSP a fechar uma praça central do Porto numa tarde de março de 2018 foram relatadas às autoridades por uma turista francesa que tinha testemunhado um atentado no seu país.

O despacho de arquivamento do caso, emitido pela 3.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto e consultado hoje pela agência Lusa, refere que "os factos foram reportados por uma cidadã francesa que havia já anteriormente vivenciado um atentado terrorista que terá sido precedido por circunstâncias análogas às dos autos".

Em causa está o abandono de uma viatura numa das faixas de rodagem descendentes da Praça da Liberdade, pelas 16.50 horas, do dia 7 de março de 2018, numa ocorrência que levou a PSP a montar um perímetro de segurança na zona durante três horas e meia e a acionar as suas equipas de investigação criminal e de inativação de engenhos explosivos.

Citada no processo, a turista francesa relatou a um polícia municipal, que por sua vez o transmitiu a um agente da PSP, que naquela tarde de 07 de março do ano passado viu dois homens a abandonar a viatura, em passo de corrida, em direção ao lado oposto da Praça da Liberdade, e exibiu fotos comprovativas, obtidas por telemóvel.

O testemunho seria secundado por um funcionário de um estabelecimento comercial da zona.

A PSP ainda tentou intercetar os dois homens, mas estes "já estavam em parte incerta".

O veículo pertencia a um cidadão de nacionalidade romena, então com residência no Porto, que se dirigiu às autoridades no local pelas 18:45 desse mesmo dia, a associar o sucedido a "avaria na bateria".

Descartou, contudo, a responsabilidade de abandono do veículo, imputando-o a dois amigos, a quem teria pedido para resolver a avaria.

A PSP só fecharia o incidente pelas 19.35 horas.

O proprietário do veículo abandonado está, entretanto, acusado num outro processo, a julgar a partir de 13 de maio no Tribunal de Gondomar pela alegada prática de um crime de importunação sexual, praticado cerca de meio antes dos factos registado no Porto.

Segundo a acusação deste processo, consultada pela agência Lusa, o homem, "sem que nada o justificasse e de forma repentina", exibiu o órgão sexual a uma funcionária paroquial junto à igreja de São Cosme, Gondomar.

O homem foi investigado também por tentativa de furto de um automóvel, furto de dinheiro e agressão ao dono do veículo, mas o inquérito foi arquivo porque o visado não formalizou queixa, o que seria imprescindível dada a natureza semipública dos crimes.