Justiça

Renato Seabra será deportado aos 25 anos de pena

Renato Seabra será deportado aos 25 anos de pena

Renato Seabra, que foi condenado faz, esta segunda-feira, três anos a uma pena de 25 anos de cadeia a prisão perpétua, por ter assassinado o cronista Carlos Castro, em Nova Iorque, EUA, será deportado para Portugal logo que atinja o limite mínimo da pena, em 2036, e esteja em condições de pedir a sua libertação condicional.

Terá 46 anos. Fora de questão está a possibilidade de vir a cumprir a pena no nosso país.

Tony Castro, advogado e ex-procurador da República no condado de Bronx, onde trabalhou durante 17 anos, não tem dúvidas de que isso irá acontecer. "Normalmente, seria negado o seu pedido de liberdade condicional, se se tratasse de um cidadão americano. Mas como é estrangeiro, será diferente", explica o advogado ao JN. "Deverá sair logo na primeira vez que fizer o pedido. A principal preocupação do Estado é garantir a segurança dos cidadãos americanos e, uma vez que Renato Seabra será deportado, esse problema deixa de existir", garante o jurista. Por outro lado, acrescenta Tony Castro, "há também o argumento económico, pois o estado de Nova Iorque deixa de gastar os 50 mil euros que cada preso custa por ano".

A legislação penal do estado de Nova Iorque inviabiliza que seja concedido qualquer desconto na pena, por exemplo relacionado com bom comportamento, no caso dos crimes de sangue graves, como o tribunal classificou o de Renato Seabra quanto à forma bárbara como matou Carlos Castro, 65 anos, no quarto do Hotel Intercontinental, que ambos ocupavam. Carlos Castro foi torturado e mutilado durante horas, tendo ficado praticamente irreconhecível. Renato Seabra chegou a admitir alegar insanidade mental temporária para se defender, no julgamento

Família recatada

Sobre a possibilidade de Renato Seabra vir a cumprir o resto da pena numa prisão portuguesa, ao abrigo de tratados bilaterais entre os dois países, Tony Castro considera que a decisão do tribunal deixa claro que "é praticamente impossível isso acontecer". Renato cumpre pena na prisão de Clinton, no condado do mesmo nome, um estabelecimento de "alta segurança", ainda recentemente palco de uma espetacular e polémica fuga de dois homicidas, com a ajuda de um guarda prisional.

Na terra natal de Renato, Cantanhede, a família, depois da brutal exposição mediática, tenta retomar uma vida normal, sem quebrar o silêncio, e os vizinhos e amigos respeitam a decisão. Mesmo os que não conhecem Renato dizem-se fartos de ouvir falar de Cantanhede só pelo caso que chocou o país.

A mãe e a irmã de Renato Seabra seguem com a vida, com a maior normalidade possível. Odília Pereirinha, mãe de Renato, é enfermeira no Centro de Saúde de Cantanhede e continua a trabalhar, visitando o filho sempre que pode.

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