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Justiça

Saída de Sócrates da prisão de Évora é "derrota absoluta" da Acusação

Saída de Sócrates da prisão de Évora é "derrota absoluta" da Acusação

O advogado de José Sócrates, João Araújo, considerou que a libertação do ex-primeiro-ministro mostra que o Ministério Público começou a "bater em retirada, em suaves prestações" porque "não há factos, nem provas" e o processo "não tem sentido".

Em conferência de Imprensa, esta manhã, em Lisboa, João Araújo disse que, em breve, será limpa a honra do ex-primeiro-ministro, que sexta-feira saiu da cadeia de Évora, tendo ficado, em prisão domiciliária, sem pulseira eletrónica, por proposta do Ministério Público (MP).

"O que aconteceu ontem não foi uma vitória. Em questões de liberdade, não há vitórias relativas, mas há derrotas absolutas", disse João Araújo. "Este facto, espelha, a nosso ver a derrota absoluta da Acusação, do Ministério Público, porque começa a mostrar que este caso não tem sentido", acrescentou.

"Não há factos, não há provas e ao fim de nove meses não há acusação", disse João Araújo. "O Ministério Público começa a bater em retirada, em suaves prestações", acrescentou o advogado, recordando a proposta feita, há três meses, de libertação com pulseira eletrónica, recusada então por José Sócrates.

João Araújo e o colega Pedro Delille reiteraram a completa inocência de Sócrates relativamente a todas as imputações, incluindo as respeitantes à aprovação do empreendimento de Vale do Lobo, Algarve. O advogado recordou que "mais do que alimentado", este processo foi "alimantado" com factos ligados às Parcerias Público-Privadss (PPP), aeroporto e TGV, entre outros. "A ver pelos jornais da Procuradoria, o caso Lena foi chão que já deu uvas e o mais recente é o caso Vale do Lobo, uma invenção patética, infundamentada e ridícula", disse o advogado.

"Envergonhado com a Justiça em Portugal", João Araújo disse que se ultrapassaram todos os prazos "da decência", apesar de, em termos legais, ainda estar dentro do limite de tempo. "O país está doente. Como se viu nas manchetes dos jornais deste sábado, é um país que esquece a liberdade".

Convencido de que "o processo vai terminar inevitavelmente em arquivamento", a equipa de defesa de José Sócrates diz que vai "continuar a trabalhar", vai "interpor recurso de uma decisão que não agrada".

Segundo João Araújo, "todo este processo, toda esta Operação Marquês, toda esta encenação, não tem sentido". O advogado acredita, que em breve, a "honra" de José Sócrates será limpa, mostrou preocupação com o estado da Justiça em Portugal.

"O que resulta deste caso para todos os portugueses, o que me preocupa, é que é possível manter alguém preso nove meses sem factos, sem provas, sem acusação", disse João Araújo, agradecendo a José Sócrates o "exemplo de força, de dignidade e amor à liberdade" demonstrado durante o tempo em que esteve detido.

"Acredito que, em breve, José Sócrates poderá estar numa sala como esta a falar livremente", acrescentou João Araújo, esclarecendo que, apesar de estar em prisão domiciliária, "não há restrições para falar livremente com a imprensa".