Beire

Segurança Social retira utentes da Casa do Gaiato

Segurança Social retira utentes da Casa do Gaiato

Evacuação da instituição apanhou de surpresa a família dos homens e mulheres internadas, assim como responsáveis da instituição. Resistência dos utentes obrigou à chamada da GNR.

A Segurança Social retirou, ao final da tarde desta quarta-feira, vários utentes da Casa do Gaiato de Beire, em Paredes, uma instituição vocacionada para o acolhimento de pessoas sem apoio familiar, com graves dificuldades económicas e que sofrem de doenças físicas e sobretudo mentais.

A evacuação daquela unidade da Obra criada pelo Padre Américo apanhou de surpresa os utentes, os seus familiares e os responsáveis pela Casa do Gaiato. Aliás, alguns dos homens e mulheres que têm residência naquele local recusaram abandonar as instalações, o que obrigou à chamada da GNR e dos Bombeiros Voluntários de Paredes.

"Fui apanhado de surpresa. Isto é desumano, porque ninguém nos avisou ou alertou a família dos utentes. Também não informaram para onde os iam levar", alegou o padre Júlio Pereira. O diretor da Casa do Gaiato confirmou que a retirada dos utentes foi ordenada pela Segurança Social, que alega falta de vigilância na instituição. "Levaram uma grande parte dos 50 utentes da Casa", lamentou o responsável, que nega a falta de vigilância apontada pela Segurança Social.

"Estiveram cá alguns técnicos da Segurança Social, que referiram que os utentes iam ser retirados da casa. Sem mais explicações, disseram que a Casa do Gaiato de Beire vai fechar", declarou, ao JN, José Santos, presidente da Junta de Freguesia de Beire. O autarca acrescentou que a instituição estava a funcionar normalmente, não vislumbrando qualquer razão para esta decisão repentina.

Recorde-se que a Casa do Gaiato de Beire esteve na ordem do dia quando, em março do ano passado, o seu diretor, padre António Baptista, foi condenado a uma pena suspensa de dois anos e nove meses de prisão. Então com 85 anos, o pároco ficou também impedido de voltar a viver no local que dirigiu durante quase seis décadas por ter sido considerado culpado de seis crimes de maus tratos a utentes da também denominada Obra do Calvário.

Segundo os juízes, no período entre agosto de 2006 e fevereiro de 2015, o clérigo nunca contratou profissionais de saúde como médicos e enfermeiros para tratar das dezenas de doentes que viviam na Casa do Gaiato de Beire. Também ministrava medicamentos oferecidos sem recomendação médica e não autorizava a ida de utentes ao hospital, a não ser em casos muito graves.

Desde essa altura, que o funcionamento da Casa do Gaiato era acompanhado por entidades ligadas à Segurança Social.

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