Aveiro

Sharif em silêncio no tribunal por burlas a funerárias na cadeia

Sharif em silêncio no tribunal por burlas a funerárias na cadeia

O luso-americano Allan Sharif remeteu-se ao silêncio no início do julgamento de um caso em que é acusado de burlas a agências funerárias feitas a partir da cadeia da Guarda.

"Neste momento, não pretendo prestar declarações", disse o arguido, no Tribunal de Aveiro, perante o coletivo de juízes.

No início do julgamento, a advogada do arguido manifestou interesse em chegar a acordo com os lesados, restituindo as quantias que lhes teriam sido subtraídas e, em face disso, haver desistência da queixa.

Allan Sharif, que já foi condenado em vários processos, encontrando-se atualmente detido na prisão de alta segurança de Monsanto, está acusado de quatro crimes de burla que lesaram outras tantas agências funerárias de Ílhavo e Murtosa (distrito de Aveiro), Mêda (Guarda) e Peso da Régua (Vila Real).

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), os crimes ocorreram entre julho a novembro de 2014, quando Allan Sharif estava detido no Estabelecimento Prisional da Guarda.

A partir da cadeia, o arguido ou alguém a seu mando, terá contactado as agências funerárias dizendo que necessitava de fazer a trasladação de um cadáver de um país estrangeiro para Portugal e a pedir que fizessem uma transferência bancária para custear as despesas com o processo, comprometendo-se a devolver posteriormente o dinheiro.

As transferências eram feitas para contas de familiares de pessoas que estavam ou tinham estado detidas na mesma prisão de Allan Sharif e que depois faziam chegar as quantias monetárias ao arguido, sem que fosse prestado qualquer serviço.

De acordo com a investigação, as agências funerárias ficaram com um prejuízo de quase 3.000 euros.

Num dos casos, um recluso que recebeu dinheiro na sua conta disse que a quantia depositada foi para pagar uma dívida que dizia respeito aos seus serviços de lavar a roupa à mão a Allan Sharif.

O processo teve início com uma queixa contra desconhecidos apresentada por uma agência funerária de Ílhavo, que dizia ter sido contactada por um indivíduo que afirmava estar na Alemanha e que necessitava de fazer a trasladação de um cadáver para Portugal.

Em 2010, Sharif foi condenado a 17 anos de prisão pelos crimes de burla qualificada, extorsão e branqueamento de capital que lesaram empresas e instituições financeiras de vários países, nomeadamente nos Estados Unidos da América (EUA).

Dois anos mais tarde, voltou a tribunal para ser julgado pelo rapto de um empresário canadiano, extorsão, branqueamento e falsificação de documentos, tendo sido sentenciado com uma pena adicional de 10 anos de prisão.

O tribunal deu como provado que Allan Sharif "elaborou um plano criminoso" para atrair o empresário a Portugal e obrigá-lo a fazer transferências bancárias de vários milhões de euros, tendo para isso reunido outros arguidos, "aliciados pelos elevados proventos".

Outra das condenações aconteceu em 2013, quando o luso-americano foi punido com uma pena de dois anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção ativa e de burla qualificada, praticados a partir da cadeia da Guarda.