Setúbal

Solicitadora e preso apanhados em pleno ato sexual na cadeia

Solicitadora e preso apanhados em pleno ato sexual na cadeia

O pessoal da guarda prisional de Setúbal já andava desconfiado de que as visitas da solicitadora ao recluso não tinham objetivos exclusivamente profissionais e, esta semana, surpreendeu-os ambos em pleno ato sexual.

"A visita foi imediatamente interrompida e tomadas as medidas necessárias", segundo a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), face a "comportamentos desadequados".

A direção-geral liderada por Rómulo Mateus não identifica a profissão da visitante, mas fonte do Estabelecimento Prisional de Setúbal garante ao JN que se trata de uma solicitadora - e não de uma advogada, como noticiou um diário - contratada para tratar de assuntos familiares do recluso relacionados com uma herança. Além de solicitadora, a mulher também é autora de, pelo menos, um livro de poesia. E o recluso, com reputação de ser "bem-falante", tem alcunha de poeta: "Camões".

Nascido há cerca de 44 anos em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, "Camões" costumava reunir-se com a solicitadora num gabinete destinado a visitas, sobretudo, de advogados, que fica junto à grande sala comum onde presos se encontram com familiares e amigos.

Nesta terça-feira, face às suspeitas que as visitas da solicitadora vinham gerando, um guarda espreitou por um vidro e, no campo de visão disponível no interior do gabinete, não viu a solicitadora nem o recluso. Por isso, abriu a porta e deparou-se com ambos, num ponto mais recatado do gabinete, a ter relações sexuais.

Assaltante e homicida

O recluso está a cumprir 10 anos de prisão, depois de ter assaltado uma farmácia, mas não foi possível apurar se este é o único crime que justifica aquela pena (a DGRSP recusou falar do assunto). De qualquer modo, antes desta pena, já o recluso cumprira outra, mais longa, por homicídio.

"De vez em quando, arranja problemas. Já tinha estado preso, uns 20 anos, em Vale dos Judeus, e acha que sabe tudo...", comenta um guarda prisional.

Face ao último episódio, a DGRSP diz que tomou as "medidas necessárias", sem esclarecer se isso passará por um processo disciplinar contra o recluso e pela denúncia da solicitadora à respetiva ordem profissional.

Advogada levava haxixe - Uma advogada de Braga foi acusada, em maio, de tráfico de droga, após ter sido detida com 96 gramas de haxixe destinados a um recluso da cadeia de Paços de Ferreira. Na ocasião, em 2017, também lhe foram apreendidas 39 agulhas de seringas, dois carregadores de telemóvel, um cabo USB e um auricular.

Procuradoras seduzidas - Duas procuradoras do Ministério Público foram condenadas, em penas de prisão suspensas, depois de se terem envolvido com um burlão que andava foragido e que as convenceu a passarem-lhe informação confidencial, nomeadamente sobre figuras da magistratura e da PJ.

Guarda no tráfico - Um guarda prisional acaba de ser acusado de corrupção passiva para ato ilícito, por ter integrado, entre 2015 e 2018, uma rede que negociava droga e telemóveis na cadeia de Caxias. Num grupo de 26 acusados, aquele guarda era o elo de ligação entre um recluso e a respetiva família, que o abastecia de produtos ilícitos.