Julgamento

"SuperNanny" assume que programa tem riscos para a exposição das crianças

"SuperNanny" assume que programa tem riscos para a exposição das crianças

A psicóloga Teresa Paula Marques, que protagonizou o programa da SIC "SuperNanny", foi esta sexta-feira ouvida como testemunha no Tribunal de Oeiras.

"As birras fazem parte do desenvolvimento, não são nunca manifestações patológicas", começou por dizer Teresa Paula Marques, na terceira sessão do julgamento do processo relacionado com o programa "SuperNanny".

O programa não selecionou casos patológicos, "queriam situações normais do dia a dia" e as crianças que participaram têm "vidas normais", garantiu a psicóloga.

Teresa Paula Marques assume que o programa representa riscos para a exposição das crianças mas considera que as mensagens positivas que são transmitidas pela "sua personagem" superam o ter-se "visto uma birra na televisão" - por exemplo, mencionou que incentiva os pais a dizer não aos filhos, a dizer-lhes que não devem gritar ou impor castigos físicos.

Defendeu ainda que as estratégias que usou são educacionais e não de psicologia comportamental. "As crianças estão bem. Até agora não houve nenhum dano", garantiu, dizendo que tem mantido contacto com crianças e pais. A Margarida, por exemplo, brinca à "SuperNanny" na escola, a Lara continua a ter boas notas, sublinhou.

Teresa Paula Marques considera que as ações em tribunal têm "efeito mais perverso" do que a participação no programa. "Isso sim teve um impacto negativo na vida das crianças, não foi o programa em si. Não fosse toda esta confusão que se criou e já ninguém se lembraria da Margarida do primeiro episódio", apontou.

A "SuperNanny" insistiu ao tribunal que "os benefícios" ganhos pela participação "compensam os riscos" por ser "futurologia" antecipar-se possíveis danos daqui a dez ou mais anos. Teresa Paula Marques defendeu ainda que as birras não são momentos íntimos nem embaraçosos, por serem naturais. Famílias e crianças, repetiu, são hoje mais felizes.

Teresa Paula Marques explicou ainda ao tribunal que aceitou o convite da SIC por considerar que o programa é "válido" e que "fazia falta na nossa televisão". "Não foi uma escolha às cegas", disse.

"Não sou eu que estou ali [no programa]", frisou, defendendo que a "SuperNanny" não é uma "super psicóloga" mas antes "uma personagem".

"Não se está ali a fazer psicologia mas a transmitir estratégias de educação", referiu, frisando que o objetivo é ajudar as famílias.

O programa "SuperNanny", entretanto suspenso provisoriamente, ficou envolto em polémica logo após a transmissão do primeiro episódio, emitido pela SIC no dia 14 de janeiro. No dia seguinte, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens tomou uma posição contra o programa por considerar que existe um "elevado risco" de este "violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade".