Justiça

Suspeito de assaltos com "lapsos de memória" não reconhece "Mustafá"

Suspeito de assaltos com "lapsos de memória" não reconhece "Mustafá"

A repetição do julgamento do ex-inspetor da Polícia Judiciária (PJ) Paulo Pereira Cristóvão e de "Mustafá", líder da claque Juventude Leonina, suspeitos de integrarem uma rede de assaltos a residências, começou esta segunda-feira, no Tribunal de Cascais, com "alguns lapsos de memória" de um dos outros arguidos no processo.

Serge Molina, que terá cometido vários roubos, negou ter encontrado "Mustafá" no ponto de encontro do primeiro assalto em que admitiu ter participado, ao contrário do que dissera anteriormente.

Num depoimento prestado em sede de inquérito, que confirmou ter sido assinado por si, Serge Molina garantira ter-se encontrado em 2014 com, entre outros arguidos, "Mustafá" e Paulo Santos na rotunda do Centro-Sul, em Almada, antes de se consumar o assalto a um apartamento em Cascais, mas, esta segunda-feira, assegurou, perante a insistência da juíza-presidente, não reconhecer nenhum dos dois, presentes na sala.

À saída do tribunal, o advogado de "Mustafá", Rocha Quintal, defendeu que "é normal" que, passado tanto tempo, existam "alguns lapsos de memória". Detidos em 2015, os 17 arguidos começaram a ser julgados em junho de 2016 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, mas o julgamento acabou por ser anulado depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter considerado que o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, não tinha competência para fazer a sua instrução, como acontecera.

Esta fase - que é facultativa e visa apurar se existem indícios para o processo seguir para julgamento - acabou por ser repetida pelo Tribunal de Instrução Criminal de Cascais, que, numa decisão de junho de 2018, decidiu manter, no essencial, os termos da acusação do Ministério Público (MP). Esta segunda-feira, teve, por fim, início a repetição do julgamento. Para já, há sessões agendadas até 8 de julho.

De acordo com o MP, o antigo inspetor da PJ e ex-vice-presidente do Sporting seria o cabecilha da rede, da qual fariam parte, além de "Mustafá", três agentes da PSP. Um deles - Telma Freitas, atualmente suspensa de funções - admitiu a sua participação num dos assaltos de que o grupo é suspeito, justificando a sua ação com o estado depressivo em que se encontrava e o medo de "ficar sozinha" e de perder o seu namorado, também polícia e arguido neste processo.

Esta segunda-feira, nem Paulo Pereira Cristóvão nem "Mustafá" quiseram prestar declarações em tribunal, à semelhança dos restantes arguidos.

O julgamento prossegue a 20 de fevereiro, com a continuação do depoimento de Serge Molina. Em causa estão crimes de associação criminosa, roubo, sequestro, posse de arma proibida, abuso de poder, violação de domicílio por funcionário e falsificação de documento.

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